A expansão do cheerleading na Fronteira do Brasil

Você já deve ter ouvido a famosa expressão “Quer um mundo melhor? Comece por você mesmo”, certo? Nunca pensei que ela se adequaria tão bem quando o assunto é o esporte, mais especificamente o cheerleading. Mas foi mais ou menos por aí que as coisas aconteceram aqui, onde o Brasil termina.

Carolline Marinho, correspondente C1C em Foz do Iguaçu.

Em 2017 precisei me mudar para Foz do Iguaçu, na fronteira do Brasil, para dar início à faculdade de Medicina. Além de todos os aspectos envolvidos na mudança, sair da minha rotina de cheerleader no Elite All Star, ginásio que eu amava, com as pessoas que eu amava, foi sem dúvida a segunda coisa mais difícil. A primeira foi ficar literalmente sem qualquer contato com o cheerleading durante 6 meses.

Não foi por falta de empenho. A primeira coisa que fiz quando cheguei em Foz do Iguaçu foi procurar equipes que eu pudesse participar, até mesmo em outras cidades. A equipe All Star mais perto era totalmente inviável. Ficava a quatro horas de distância.

Seis meses depois, quase enlouquecendo com a rotina que eu levava e sem praticar nenhum esporte, uma atleta de um time universitário da cidade me procurou para que eu pudesse dar dicas na modalidade esportiva, pois eles tinham pouca técnica no que faziam. Foi aí que minha jornada de cheerleader – e coach – na fronteira começou.

Comecei a treinar o time da UNILA (universidade federal local), as Kapi’ytãs. Participamos do campeonato paranaense, apresentamos o cheerleading a comunidade iguaçuense nos intervalos dos jogos de futsal do Foz Cataratas, e o principal, consegui fazer mais 12 pessoas se apaixonarem pelo esporte.

Nessa mesma época, houve um grande surgimento de atléticas nas faculdades em Ciudad del Este-PY, fronteira com Foz do Iguaçu, e elas atraíam muitos brasileiros pelas condições financeiras. Igual ao Brasil, onde tem atlética tem cheerleaders. Comecei a treinar o time da minha faculdade, as Arlekinas,  e 2 meses depois ganhamos o prêmio de abertura do campeonato universitário de CDE (FUDAP),fomos a única instituição a levar o cheerleading em sua modalidade esportiva.

Depois disso, o tempo passou bem rápido com toda correria de final de ano, mas ainda naquele ano iniciei os treinos com outra equipe universitária em Foz, as Quacheers. Em meados de novembro e dezembro, quando a frequência de aulas havia diminuído, logo o de treinos também, passamos a marcar as famosas integrações entre os times do Paraguai e Brasil, e foi aqui que me peguei refletindo sobre a frase com o qual comecei a esse texto, mas adaptando um pouco para o cheerleading.

“Quer melhorar o esporte? Comece por você mesmo.” Foram muitas integrações com uma média de 20 a 30 pessoas, em uma cidade que a maioria nunca nem tinha ouvido falar de cheerleading. Foi a partir daí que as equipes da fronteira começaram a se multiplicar. As Kapi’ytãs, primeiro time que treinei, eram de 2016. Mas vieram as outras, todas em 2018: em março nasceu o Mamucheers/Unifoz. Em abril foi fundado o Dangerous. Em junho e julho nasceram o Quacheers/UDC e o Afrodites/UCP. Em agosto as Arlekinas/ UPE-CDE começaram seus treinos e, em setembro, Hulkats/Maria Serrana, Lions/ Uninter, Fox Cheers/UPAP.  

Tá aí uma sensação ainda indescritível para mim: fazer mais pessoas se apaixonarem pelo “cheer”. Motivada pela causa e junto com alguns amigos/atletas, em 2019 montamos o primeiro All Star da fronteira e região, que une muitos integrantes de todas essas equipes citadas, o FrontCheers All Star. O time segue crescendo e estabelecendo metas, mas com um objetivo sendo cumprido diariamente: a expansão do cheerleading no Brasil (e a fora dele também).

Instagram did not return a 200.