As conquistas do Arkhaios: A viagem do Empire ao Chile

No final de 2019, o Arkhaios Allstars participou de duas competições chilenas, trouxe dois pódios para casa e mostrou internacionalmente todo o potencial do cheerleading brasileiro

No Cheerfest Supernational 2018, as maiores pontuações de cada categoria levavam para casa não só o 1º lugar, mas a inscrição para o campeonato chileno SCO National. Campeão All Star no nível 4, o Empire, do ginásio Arkhaios, do Rio de Janeiro, encarou o desafio, marcou presença e deixou sua marca no Chile. O time Dynasty – All Girl nível 3 do ginásio –, também garantiu o ouro em sua categoria no Cheerfest (2018). Mas, devido às divisões do SCO National, que não incluem a categoria open – apenas júnior e sênior –, não pôde competir no Chile.

Levar o Arkhaios para o Chile já era uma ideia de Nayara Araújo, uma dos head coaches do ginásio, que queria que seus atletas pudessem participar de uma competição de cheerleading em um país onde o esporte é mais reconhecido, até para que essa experiência servisse como inspiração para o Brasil. “Nós queríamos levar algum time para os atletas entenderem (…) como desenvolver o nosso esporte aqui no Brasil, visitar ginásios, ver rotinas, ver a forma que eles fazem cheerleading, desde os motions, até a administração”, conta a coach. Além de participar do SCO National, no dia 23 de novembro, o Arkhaios também foi convidado a competir no CSChile Brands, no dia 24.

A experiência chilena dos cariocas

Uma das experiências mais marcantes para os atletas, e talvez o maior desafio, foi a presença do tablado em território chileno. Acostumado a treinar e a competir apenas em tatames ou no cheerfloor, o Empire precisou se adaptar o máximo possível ao novo solo, como conta Iago Bastos, atleta do ginásio e diretor estratégico do C1C. “Ele (o tablado) não muda somente o tumbling, (…) fica tudo diferente. Ele muda o tempo das coisas. O primeiro treino foi bem ruim. Aos poucos fomos nos adaptando ao tablado e as coisas foram ficando bem melhores”. Por conta do tablado, foram necessárias modificações na rotina: foram adicionados dois partners toss extensão aos dois toss lib que já existiam e adicionadas mais passadas de running tumbling. Além disso, foi possível acrescentar mais uma passada especial, já que o tablado deu mais confiança para que os atletas realizassem skills com mais técnica e limpeza, e até desbloqueassem outros elementos.

O Empire também foi surpreendido pela vibe dos chilenos. Por serem um time de fora, eram novidade – e famosos –, e foram muito bem recebidos por lá, como conta a atleta Giuliana Macau: “Como nós eramos diferentes, o time vindo de fora, a torcida inteira, todos os times, vibravam com a gente. E isso fez muita diferença. Tietaram a gente, a gente chegava nos campeonatos e todos vinham falar com a gente, tirar foto, isso foi muito legal.”.

 

A viagem ao Chile ainda teve um gostinho especial para o Thiago Almeida e para a Giuliana, que foi pedida em casamento logo após o primeiro campeonato.

 

Direto da fonte

Durante a estadia no país, o Arkhaios viveu de perto o cheerleading chileno ao visitar os ginásios do UPAC e do Halcones, referências no esporte, e treinar no Golden Allstars. Dos três treinos oficiais que o Arkhaios teve, apenas um, às vésperas da primeira competição, foi marcado pela presença dos atletas das equipes níveis 5 e 6 do Golden, que participaram após seus showcases. Durante a integração, os atletas brasileiros puderam aquecer tumbling e stunts, passar full out e sentir toda a energia chilena: “eles colocam muita energia e muita força durante o treino todo, parece que nunca cansam”, conta Thiago Almeida.

Apesar de não terem tido treinos voltados à técnica especificamente, os atletas do Empire participaram de um intercâmbio produtivo de informações, que contribuiu muito para a evolução do time. A experiência foi ainda mais valiosa visto que o Chile já era referência para o esporte no Brasil desde o camp de Benjamin Beltran em 2010.

 

A surpresa de dois pódios

O intuito do ginásio era apenas apresentar sua rotina e conhecer um pouco mais do país referência para o Brasil no esporte “a gente só queria não cair e dar o nosso melhor, depois que apresentamos nos sentimos tão realizados que, ganhando ou não medalha, a gente já estava muito feliz”, comenta Ana Alquires, atleta do Empire. Apesar de no último Campeonato Carioca o Arkhaios ter competido contra apenas uma equipe, a disputa contra 7 times no sábado, e contra 9 no domingo, não intimidou os brasileiros – assim como a dimensão dos campeonatos não os assustou. No SCO National, o Arkhaios conquistou o 2º lugar, com uma pontuação de 97,80. Já no CSChile Brands, o ginásio levou o 3º lugar, com 97,85 pontos, ficando à frente de equipes renomadas como a Infinity Panthers, do ginásio UPAC.

Os resultados tão positivos serviram de termômetro para que os atletas do Arkhaios, e toda a torcida brasileira, percebessem que o cheerleading em nosso país está na direção certa. “Isso serviu muito pra todo mundo acreditar mais em si mesmo, sabe?! Porque muita gente do Arkhaios e de outros times que eu conheço não acredita tanto em si mesmo, eu inclusive. Não acreditava em mim e não acreditava que podíamos chegar tão longe. Dá pra acreditar que nós somos bons, tão bons quanto eles”, finaliza Giuliana.

 

Texto: Isabella Boddy (C1C PR)

Imagem da capa: Gabriela Goulart (C1C RJ)

Produção: Louise Aguiar (C1C RJ)

Revisão: Gabriela Rapp (C1C GO) e Nicole Goldstein (C1C RJ)

 

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