As equipes do Brasil Profundo – Parte 1

A cada ano que se passa, o cheerleading tem mostrado ganhar ainda mais força em territórios que até então pareciam profundos demais para o esporte. Conheça agora três das inúmeras equipes incríveis que merecem ser reconhecidas fora dos polos!

Após quase doze anos da primeira faísca que deu origem ao cheerleading nacional, ainda hoje é perceptível o alastramento dessa chama por todo o território brasileiro. Por meio do grande entusiasmo dos recém adeptos, a faísca se fez chama, e esta, indomável, se espalhou sem parar, até que Volta Redonda se tornasse pequena. O agora fogo precisava se expandir. E assim foi. Conquistou Niterói, São Paulo, São Carlos, Rio Claro, Bauru, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e outras mais. Conquista essa que, consequentemente, trouxe grande reconhecimento para os times instaurados nessas regiões.

Apesar do forte movimento, infelizmente não são todos os defensores dessa brasa intensa que prontamente conseguem um reconhecimento. Seja pelo contato um pouco mais tardio com o esporte ou pela distância dos principais polos. Com base nisso, conheça a seguir algumas equipes que estão fora dos famosos polos conhecidos e que merecem todo reconhecimento nacional por suas histórias únicas.

 

Hellhounds Cheerleaders (@hellhoundscheersquad)

Atletas do HellHounds.

O primeiro time da lista a ser apresentado vem diretamente de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Fundado em outubro de 2018 como equipe All Star, Hellhounds iniciou-se com uma formação de um pouco mais de dez pessoas.

Sem nenhum campeonato na cidade e ainda sem nenhuma participação em campeonatos de fora, Bruna Dos Santos Pereira, atleta e uma das administradoras das redes sociais do time, revela que atualmente a aprendizagem e o preparo da equipe são centrados nas mãos de Jesus Tambor, um colombiano que agora reside no Brasil e é o atual coach.

Em conversa com o C1C sobre a prática do cheerleading nas regiões já desenvolvidas no esporte e a prática em sua cidade, Bruna conta que enxerga sim diferenças. Por meio da participação em uma capacitação realizada pelo ex-atleta e coach chileno, Benjamin Beltram, a equipe notou como principal diferença com relação aos grandes polos os nomes de algumas skills e o estilo de contagem. 

 

Melíferas Cheerleading (@meliferas)

Atletas do Melíferas no Cheerfest 2019.

Percorrendo mais de dois mil quilômetros Brasil adentro, chega-se ao segundo destino: Goiânia, cidade da equipe Melíferas. Representando a Universidade Federal de Goiás (UFG), a equipe foi fundada no segundo semestre de 2018 com o intuito de ser apenas um Projeto de Extensão da Faculdade de Educação Física e Dança (FEFD) sob forma de aulas de iniciação ao cheerleading. Inicialmente, contou com a presença de 15 meninas dos mais variados cursos para compor o time.

Após o final do primeiro ano de existência do projeto, e certa renovação no elenco, a equipe começou a ganhar um novo rumo. Surgia ali o sonho de se tornarem uma equipe competitiva. A inexistência de campeonatos na região não os deteve. Com o auxílio e a garra do head coach Luiz Fernando Garcês Coelho, por meio da aplicação de suas metodologias baseadas em regulamentos da Varsity, da USASF, dos regulamentos dos próprios campeonatos e da análise de rotinas publicadas em redes sociais, isso foi possível. Foi então que, em dezembro do ano passado, competiram no Cheerfest Internacional pela categoria Universitária Coed Nível 1 e levaram o primeiro lugar.

Por pertencerem a um polo que possui uma deficiência de times e que ainda está em processo de solidificação, surge uma grande dúvida: se esse time recorre a alguma ajuda em questões de aprendizado e, caso sim, de onde seria. Luiz, quando questionado sobre esse assunto, surpreende com a resposta. Ao contrário do que se espera, times de grandes polos não são a primeira resposta. Segundo ele, essa ajuda vem a partir de um time parceiro, o Sealand Cheerleading. “Nós nos apoiamos e perto do período de competição treinamos em conjunto, dando apontamentos sobre as rotinas.”

Ainda quando questionado sobre diferenças entre a prática do esporte na sua cidade com a dos polos, ele revela: “Sinto que outros times buscam muita progressão antes da perfeição, e as ginásticas, assim como o Cheerleading, exigem o máximo de proximidade com a perfeição antes da progressão. Acredito que esse seja nosso diferencial, procuramos muita sincronia e excelência em tudo o que fazemos.”

Prestes a encerrar a entrevista, a questão de esforços necessários para a evolução e disseminação do esporte em polos em ascensão é levantada, uma vez que certas dificuldades podem ser, e muitas vezes são, encontradas nesse começo. Tendo principalmente a estereotipização do atleta do esporte e a falta de espaços adequados para treinos como alguns dos dilemas da região, o coach deixa uma mensagem extremamente importante para essa luta: “Sinto que quando a seriedade dos praticantes desse esporte é levada para fora dos treinos faz toda a diferença! Nós cheerleaders devemos ser as pessoas que divulgam e enaltecem a seriedade e importância dessa prática corporal para todas as regiões! Sabemos das funções sociais e práticas do esporte e da sua importância para a comunidade, principalmente universitária, que vive rodeada de cobranças e dificuldades para se encaixar em outras práticas esportivas.”

 

Sealand Cheerleading (@sealandcheer)

Atletas do Sealand Cheer durante Cheerfest Internacional 2019.

Não percorrendo nem um quilômetro a mais ou a menos, encontra-se o terceiro destino: Goiânia, casa do atual All Star Sealand Cheerleading. Fundado em outubro de 2017 com o intuito de não só trazer o cheerleading para o estado de Goiás, mas também a vontade de quebrar estereótipos por meio da vivência prática inclusiva, iniciou-se com uma formação de 9 homens e 5 mulheres.

Durante esses quase três anos de existência, chegaram a participar de quatro diferentes campeonatos: Campeonato Brasileiro no Rio de Janeiro (2018), Capital Cheer em Brasília (2019), JUBS (2019) e Cheerfest Internacional em Uberlândia (2019).

 

Clique aqui para ler a matéria sobre a estreia do time no Campeonato Brasileiro de Cheerleading em 2018.

 

Atualmente com um foco mais competitivo, voltado ao desejo de mudar de nível e de serem cada vez mais reconhecidos pelo trabalho, os head coaches, Ellen Gomes e Igor Lucena, revelam como o ensinamento e o fortalecimento assustador do time aconteceram em tão pouco tempo: “No início, era a partir de vídeos das equipes de fora e vivenciando com os próprios atletas. Depois eu, Ellen, fiz curso da UBC de formação de coach e da Golden sobre regulamentação recentemente. Mas sempre contamos com o Igor que tem muito conhecimento do esporte e sabe muito sobre o regulamento da Varsity e código de segurança USASF.”

Apesar da mudança, os head coaches afirmam que não perderam a intenção inicial de acessibilidade do esporte. Para continuar trabalhando esse objetivo, criaram em 2018 uma turma de iniciação ao cheerleading na faculdade em que estudavam. Turma essa já mencionada acima, a agora equipe Melíferas.

Quase ao fim da conversa, Ellen e Igor admitem enfrentar algumas dificuldades por estarem longe dos polos já solidificados, embora Sealand possua uma trajetória perceptivelmente grandiosa. Segundo eles, a falta de uma maior exposição ao esporte e a integração com outros praticantes são uma das maiores barreiras. “Acreditamos que a falta de acesso ao conhecimento sobre o esporte (isento de estereótipos), de como ele funciona com suas regras e campeonatos, seja um fator de influência na criação de outras equipes em nosso estado. Com certa frequência, aparecemos em matérias de jornais e TV, fazemos apresentações em escolas e outros eventos, o que traz uma grande atenção para nosso time e a modalidade em geral. ”

 

Ficou interessado(a) em descobrir mais do Brasil profundo? Fique tranquilo(a) que logo mais vem a parte dois com entrevistados fantásticos! Enquanto isso não acontece, corre lá no nosso Instagram @cheeronechannel e comente na foto usada para divulgação desta matéria os times que você acha que aparecerão aqui! 

 

Texto: Gabriela Rapp (C1C GO)

Produção: Juliana Dória (C1C BA)

Revisão: Isabella Boddy (C1C PR)

Arte da capa: Kevin Henriques (C1C RJ)

Instagram did not return a 200.