Bisetes: pavimentando o caminho até o ouro

Para quem não acompanha a cena universitária de perto, o nome Bisetes pode ser novo mas, na verdade, a conquista do ouro no nível 2 do Engenharíadas Paranaense, um dos campeonatos universitários mais respeitados no meio do cheer, marca o ápice de um longo trabalho de superação que vem dando frutos ao longo dos anos. O time foi criado em 2012, com o objetivo de animar a torcida da faculdade Unioeste Toledo. Depois de um período inativa, a equipe voltou a se organizar em 2014, ano do primeiro campeonato oficial de cheer no Engenharíadas.

Como em muitas outras histórias de times ainda sem contato com o meio esportivo, o desempenho da equipe no campeonato foi um choque de realidade. “A gente levou somente um quadro de dança, ficamos em 5º lugar de 5 times. Tecnicamente não tínhamos nenhum elemento de cheer. Éramos coreografados por uma bailarina. Foi nessa competição de 2014 que acordamos para a realidade.Ficou claro que tínhamos que nos profissionalizar”, relata Bianca Barbosa, capitã do time. Assim começou a jornada das Bisetes no mundo do cheerleading competitivo. Mas não foi nada fácil, além de ter que superar os obstáculos usuais como a falta de experiência e altos custos, fatores externos também jogaram contra a equipe de Toledo.

Golpes e recuperações
Em 2016, a equipe contava com uma treinadora e iniciou um movimento específico para competir. Mas a equipe passaria por uma prova de fogo naquele ano, bem maior que uma competição. Um dos atletas do time faleceu um mês antes do Engenharíadas. Na semana da competição, a coach do time também faleceu. “Foi bem complicado pra equipe, um trauma muito grande. Mas continuamos firmes e tentando continuar nesse espaço”.

Foi naquele mesmo ano que a equipe encontrou o seu atual coach e mentor: Davi França. O êxito foi instantâneo. No segundo semestre daquele mesmo ano, as Bisetes alcançaram seu primeiro título: o JOIA Oeste. A expectativa para o tão esperado engenharíadas era grande. A equipe parecia ter encontrado o seu modo de fazer cheer ao lado do novo coach, mas os obstáculos não cessaram. Dessa vez a mãe de uma das atletas veio a falecer dias antes do campeonato, impossibilitando a participação da flyer e o time não conseguiu entrar no tatame. “Não podemos competir porque a rotina do Davi é muito movimentada, ninguém para um minuto e nós temos relativamente poucos alunos, então é um problema ter substituições. Pelo segundo ano não conseguimos mostrar nosso real potencial”, lembra Bianca.

Constante reconstrução
As Bisetes continuaram perseverando em sua trajetória. No ponto de vista técnico, Davi conseguia pôr em prática seu método de treino e no campo pessoal, as gestões da equipe conseguiram criar um ambiente fértil e produtivo. “A nossa equipe se renova a cada ano, de um Engenharíadas para o outro. Mesmo assim, capitães passados conseguiram implementar um pensamento de união em prol de um objetivo comum que perdurou mesmo após suas saídas. Aprendemos com todos nossos erros nesses 5 anos, a lidar com diferentes tipos de pessoas e damos espaço para as pessoas conhecerem o que podem fazer”, destaca a capitã.

Dali para frente o caminho pro sucesso veio naturalmente: Cheerfest/PR; Bicampeonato do JOIA Oeste. Mais ainda faltava algo: o Engenharíadas.

Não falta mais.

“Ganhar foi muito importante por tudo que a gente passou, principalmente pelos mais antigos, por situações trágicas, hoje estamos aqui por conta dessas pessoas. Foi uma sensação de missão cumprida”, finaliza Bianca.

 Os próximos capítulos dessa história vibrante estão para ser escritos. Em virtude da renovação de gestão, Bianca não pode adiantar muito dos planos futuros – apenas a participação no JOIA é certa – mas diz que a equipe certamente fará de tudo para participar dos outros campeonatos. O que podemos ter certeza é que Bisetes está aqui pra ficar.

Foto: Cauê Souza

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