Como o Brasília Xtreme se tornou Líder da Temporada 19/20 – e guardará o título até 2021

A última temporada – 2019/20 – não foi típica para o Cheerleading brasileiro. Ela veio anunciando desde cedo que há mudanças no equilíbrio de forças do esporte em nível nacional: a liderança saiu do Rio e foi levada para o Distrito Federal pelo BX. E essa será uma liderança longa: com a pandemia, o ginásio deverá ser o guardião do título até 2021.

O isolamento social imposto pela pandemia do SARS-CoV-2 paralisou a temporada 2019/20 quando ela caminhava para o final, sempre marcado pela participação do Team Brazil no Campeonato Mundial da International Cheer Union. 

Congelada no meio de março, a temporada que não terminou foi especial em diversos aspectos. O Cheerland Camp trouxe uma equipe de coaches internacionais e fez acontecer uma grande integração – carregada de evolução técnica – logo no início do ano. A UBC, historicamente distante dos principais ginásios do país e dos próprios atletas, confirmou o desejo da nova gestão em se esforçar por uma reaproximação. Com Felipe Leal como diretor Esportivo – e, posteriormente, presidente -, a entidade mandou à Costa Rica a primeira equipe Pan-americana Brasileira de Cheerleading, que voltou com a sensação de dever cumprido.

Os tatames também guardavam reviravoltas: a supremacia carioca sobre os pódios estava em cheque. O Arkhaios Allstar, campeão Carioca em todas as categorias Coed das quais participou no regional, com duas medalhas internacionais no seu nível 4, não estava disposto a deixar a liderança nacional, espaço ocupado em 2018 com vitórias inesquecíveis. Mas, de Campinas, do mais antigo e tradicional dos campeonatos, veio um recado claro: o Brasília Xtreme chegava à temporada com potencial para ocupar o pódio vezes e vezes seguidas, até a liderança.  

A liderança se estabelece

O Campeonato Nacional de Cheer & Dance da UBC viu rotinas extremamente criativas, dinâmicas e limpas passarem pelo tatame. Ali, o potencial começou a transbordar para a realidade. Naquele fim de semana em São Paulo, valendo bids para o Worlds da International All Star Federation, o Brasília Xtreme ocupou o topo do pódio em 5 das 6 categorias de Team Cheer nas quais disputou.

Uma semana separou o Nacional do Cheerfest Supernational, talvez o mais representativo dos campeonatos da temporada, com muitos times de todo o Brasil. Dessa vez, a viagem foi menor, mas a garra era exatamente a mesma. O Brasília Xtreme levou a Uberlândia, Minas Gerais, todas as suas equipes. Entre os embates mais aguardados estavam os que aconteceriam com Arkhaios em 4 níveis e com a Bravo! Cheerleading, anfitriã do dia.

E foi no Cheerfest 2019 que o domínio sobre a temporada se confirmou e a liderança ficou evidente: dos 6 pódios das categorias Team Cheer da competição, 5 são do Brasília Xtreme até 2020. A única prata veio no nível 3, onde a Bravo! Cheerleading defendeu e manteve o título do Supernational.

 

 

O caminho até as vitórias

Os resultados históricos foram consequência de uma volta às temporadas passadas e de muito planejamento. “A nossa maior dificuldade em questão de pontuação foi em queda de tumbling, no nível 4 e no All Girl 3 (…). Então, esse ano, a gente focou em ter um tumbling mais consistente”, conta Luiza Brasiel, coach das equipes Coed níveis 2, 3 e 4 do ginásio. Com mais horários destinados a aulas de tumbling e treinos firmes focados nos básicos, o BX preparou equipes sólidas e consistentes. Foi preciso, também, reestruturar a logística do ginásio, que contava com 70 atletas. As equipes Coed 2 e 4 e o All Girl 3 treinavam no mesmo horário, revezando-se em práticas de stunt e tumbling e “isso atrapalhava bastante, pois os coaches não conseguiam focar nas equipes de maneira adequada, corríamos de um lado para o outro tentando dar atenção a todos, e isso prejudicou bastante o desempenho deles (…)”, relata Luiza. Para a temporada de 2019, as maiores mudanças foram os horários de treino separados para cada equipe e o aumento na quantidade de treinos.

Já para o Pom, João Carlos Superbi, coach do BX na categoria, desenvolveu um planejamento semanal, preocupado com a temática da rotina, item com grande influência na pontuação, e com o desbloqueio de skills, que exigem habilidades específicas. “(…) eu planejava ter uma rotina grande, com tema, e eu ia desbloqueando as skills conforme a temporada ia acontecendo.”. O propósito final era conquistar a vitória.

 


Apesar de bem estruturado, o percurso dos coaches teve muitos desafios que foram enfrentados não somente por eles, mas também pelos seus atletas, que possuem relatos semelhantes. Em entrevista, Jhonatan Caetano, Lucas Augusto e Weriklis Marques contam que o maior obstáculo foi conciliar a rotina de estudos, trabalhos e demais obrigações com os treinos do BX e de suas equipes universitárias. “Parecia que eu precisava de mais horas no meu dia, que 24 horas ainda era muito pouco para exercer tudo.”, afirma Weriklis.

No entanto, a expectativa dos treinos servia de motivação: “mas, ao mesmo tempo que tudo isso pesava, dava uma satisfação muito grande de poder estar fazendo parte de algo que eu de fato acredito, e de fato amo, meio que se paga todo o estresse que tive durante o ano.”, conta Jhonatan.

Quanto às gestões, João Carlos relata que a baixa valorização da modalidade e a alta complexidade do Pom desmotivaram muitos atletas, que acabaram deixando a equipe ao longo da temporada. Já Luiza teve que lidar com a exaustão de 12 horas seguidas de treinos – efeito do crescimento de equipes no ginásio –, a falta de voz e lesões pré-campeonato.

“(…) tivemos 3 lesões muito próximas de competições nacionais, que mexeram muito com a gente, uma delas inclusive uma semana antes de viajarmos ao campeonato da UBC. Então, foi muito difícil precisar inserir um atleta tão em cima da hora, ensinar tudo, e fazer funcionar.”, afirma a coach.

Os coaches do Brasília Xtreme na temporada 19/20:

Pom/ XPARKLE: João Carlos Superbi

Coed 2/ XCLUSIVE: Luiza Brasiel e Matheus Satori

Coed 3/ XCELLENCE: Luiza Brasiel

Coed 4/ X4CE: Luiza Brasiel

All Girl 2/ XPLORE: Sabrina Rocha

All Girl 3/ XPLOSION: Sabrina Rocha

Expectativas alcançadas

Luiza traçou para o Brasília Xtreme, em acordo com os demais coaches do ginásio, um caminho de excelência, com o objetivo de mostrar em tatame o melhor de seus atletas, sem quedas. “Nos organizamos para que isso pudesse se tornar realidade, que cravássemos a rotina. Não pensamos em resultados, seja primeiro ou último lugar, nosso foco era dar nosso melhor.”

João Carlos manteve o pé no chão e, juntamente com o trabalho feito para apresentar o melhor de sua equipe, quis exaltar sua modalidade no cenário nacional: “(…) eu só queria fazer um bom trabalho, estudando muito sobre o pom, e queria levar o pom a todos, mostrar o que era realmente a modalidade Pom Dance.”

 


As expectativas foram alcançadas, o Brasília Xtreme não só mostrou o seu melhor, como mostrou-se ser a excelência, dominou a temporada e deixou sua marca. Na bagagem de 2019, leva, além das medalhas, o orgulho de um trabalho em equipe bem feito.

“Nossos atletas foram excepcionais, entraram de cabeça junto com a gente, como eu pedi para eles no início do ano.”, afirma Luiza, que não esconde o orgulho de seus atletas que conquistaram os pódios nacionais. Para João, a temporada foi ainda mais especial: “ela me fez acreditar no meu potencial, acreditar ainda mais na Luiza, nos coaches, me fez acreditar muito no esporte no país, foi tudo para mim.”. Lucas finaliza com o sentimento dos brasilienses: “tenho muito orgulho de tudo que a gente fez, da nossa união e apoio entre equipes, foi fundamental.”.

 

 

 

Texto: Rodrigo Mariano (C1C RJ) e Isabella Boddy (C1C PR)

Produção: Geovanna Calazans (C1C DF)

Revisão: Beatriz Melo (C1C RJ), Gabriela Rapp (C1C GO), Gabriel Santos (C1C SP)

Fotos: Equipe de Fotografia C1C – Squad 2019

 

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