Campeonato Brasileiro 2019 se destaca entre os nacionais

Considerado o melhor nacional da temporada, Campeonato Brasileiro fecha o ano com infraestrutura olímpica e uma disputa bastante carioca.

O mais novo dos campeonatos nacionais de cheerleading do país já nasceu gigante. Desde sua primeira edição, em 2017, as arenas olímpicas, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, sempre foram a sua casa.

Em 2019, um upgrade foi costurado graças a uma parceria com o governo federal: o Brasileiro ocupou a Arena Olímpica 1, a maior e mais conservada delas, palco de grandes disputas no basquete e nos e-games.

O clima de montanha, como muitos esperavam – e desejavam forte – voltou ao Brasileiro. Um sistema de ar condicionado gigantesco foi responsável pelos muitos casacos e jerseys vistos por todo o lado ao longo da tarde do dia 14 de dezembro. Ficou para trás a memória do calor escaldante do verão carioca que dominou o campeonato em 2018.

Visivelmente feliz com o resultado final dos esforços da organização do campeonato, Lara Magalhães, organizadora do evento, comandou a apresentação pessoalmente. Por morar fora, algo bem raro aconteceu: os nomes das equipes foram pronunciados corretamente ao longo de todo o dia.

Banheiros limpos, grandes vestiários, diversas alternativas de alimentação e um parque olímpico totalmente vazio, de portas abertas e à disposição dos atletas foram destaques do campeonato. Mas o que fez a diferença de fato na comparação com outros eventos nacionais da temporada foi a arbitragem. O Campeonato Brasileiro investiu pesado trazendo jurados de diferentes países e diferentes experiências e embora mesas montadas por pessoas não acostumadas a trabalhar juntas não costumem funcionar, dessa vez deu certo. Os feedbacks foram muito elogiados por todos, os árbitros foram acessíveis, educados e nenhum erro consistente foi apontado até agora.

Entre os muitos escutados, atletas, coaches e organizadores de eventos esportivos, é consenso que o Campeonato Brasileiro foi o campeonato nacional mais bem sucedido do ano, um espaço que vinha sendo ocupado de forma incontestável pelo Cheerfest nos últimos anos.


Os Campeões Brasileiros de 2019

Royal Cheer Rio Wonder
All Star All Girl nível 1

Cerberus UFRRJ
Universitário All Girl nível 2.1

Golden Squad PUC-Rio
Universitário Coed nível 2.1

Arkhaios Phoenix
All Star Coed nível 2

Elite Lady Diamonds
All Star All Girl nível 2

Xtremers PUC-PR
Universitário Coed nível 2

UFF Breakers
Universitário Coed nível 3

Marvel Rise
All Star Coed nível 3

Marvel Furious Angels
All Star All Girl nível 3

Royal Cheer Rio 40º
All Star Coed nível 4

GRAND CHAMPION (96,1 pontos)
Marvel Furious Angels



Uma inversão que funcionou de novo

Poucos dias antes do campeonato, quando o cronograma foi publicado, a ordem das competições chamou atenção. Tradicionalmente, os campeonatos seguem um roteiro que faz com que o dia chegue ao ápice no final da noite, pouco antes das premiações. Os individuais são apresentados primeiro, quando o evento ainda está esquentando e, ao final do dia, as competições de team cheer – primeiro Universitário e depois All Star – fecham o cronograma.

Não no Brasileiro. A organização optou por, mais um ano, investir em um formato diferente e causou grande estranhamento inicial: o evento abriu com as rotinas de team cheer All Star e Universitário. Do início da tarde até o final da noite, apenas individuais. Não parecia que ia funcionar a princípio, mas funcionou: as rotinas foram arbitradas sem o cansaço típico do fim do dia após uma bateria de individuais. A maioria dos atletas não disputa individuais e eles ficaram livres para uma tarde de integração no pátio na entrada da arena e no próprio Parque Olímpico.

Receita: equipe
Ainda no Brasil costurando parcerias e se reunindo com coaches e lideranças do esporte,  Lara Magalhães comemora os resultados. “A gente batalhou muito. Foi um evento organizado muito na raça. O pessoal de São Paulo e do Rio me ajudou muito porque eu estava longe, resolvendo muito da burocracia via Whatsapp e Skype. Por isso eu acredito que a receita desse sucesso é uma só: equipe. As pessoas que trabalharam comigo têm o mesmo objetivo que eu. Elas querem desenvolver o esporte. Isso fez o meu trabalho mais fácil”, destaca a dirigente.

Entre os pontos que Lara aponta como coisas que precisam de atenção no próximo ano está a participação do cheerleading escolar. Ela vem focando pesado nessa divisão e, graças a acordos com o Poder Público, deve trabalhar mais de perto com ela. “Foi muito legal ver as escolas públicas aprendendo no camp que aconteceu no domingo após o campeonato. Esse ano a gente vai fazer um trabalho pesado com as escolas. A ideia é que elas participem em peso no ano que vem”, conta Lara, que já tem a data do próximo Campeonato Brasileiro: dias 12 e 13 de dezembro de 2020.
 


 

Pros
. Infraestrutura imbatível do Legado Olímpico.
. Banheiros amplos e limpos.
. Sinalização própria funcional
. Cronograma controlado – atrasos foram recuperados ao longo do dia.
. Decoração boa: Banner de tamanho bom e dois banners menores com arte própria e patrocinadores.
. Ótima iluminação e sonorização.
. Ótimos vestiários a disposição dos atletas.
. Arbitragem precisa e elogiada. A única da temporada.
. Clima ameno o dia todo graças ao ar-condicionado potente da arena. O único da temporada.
. Grande número de opções para alimentação com acesso simples e rápido.
. Água gelada ao longo de todo o dia e sem filas.
. Dois super-mercados próximos que foram amplamente usados pelos atletas ao longo do dia.
. Parque Olímpico totalmente a disposição para fotos e integração.
. Espaço isolado e adequado dedicado à imprensa.
. Muito tempo livre para a maioria dos atletas após as apresentações de team cheer para integração.
. Medalhas bonitas, em alto relevo, de cores diferentes para cada posição no pódio e em número abundante.
. Troféus bem desenhados e de tamanho considerável. O Grand Champion é praticamente um móvel.

 

Cons
. Tatame de aquecimento menor que o oficial e no mesmo ambiente que o de competição.
. Tatame de competição duro. Foi o único nacional que não usou Cheer Mats.
. Tatame de competição maior que o oficial e sem as divisões corretas. As faixas devem cortar o tatame a cada 1 metro e 80 centímetros: a divisão por cores no campeonato criou segmentos de 2 metros.
. Poucos pontos de hidratação para os atletas. Dos 4 bebedouros apenas 2 funcionaram. Não havia água na área de aquecimento. 
. Pressa na cerimônia de premiação, apertada com os anúncios e distribuição de medalhas. 
. Quadro móvel da arena (equipe local) ameaçando prender as pessoas que não saíssem da arena rápido.
. Pouca representação nacional: a maioria das equipes nas disputas eram cariocas. Apenas o Xtremers, do Paraná, representou outro estado nos pódios de Team Cheer. Faltou adesão em estados como Minas, São Pulo e Distrito Federal.

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