Cheerleading nacional inicia reabertura na pandemia – Rio | São Paulo | DF

No Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, acompanhando a flexibilização das regras de distanciamento promovida pelos governos, os ginásios avançam nos planos de reabertura com cuidados especiais. Entre os especialistas, permanece a defesa do distanciamento social como a única forma de conter a pandemia ainda descontrolada no Brasil. O esporte busca saídas para garantir a segurança dos atletas ao mesmo tempo que reabre para treinos presenciais.

Foi no início de maio que o primeiro ginásio abriu seu espaço físico no mundo pós-covid. Na verdade, o Rebellion, da cidade de Ponta Grossa, no Paraná, não chegou a conhecer o mundo pré-pandemia. Quando o ginásio inaugurou a nova estrutura dedicada ao cheerleading, a quarentena já começava: do tryout ao fechamento, quatro dias.

De maio para cá, o Rebellion seguiu com aulas presenciais de tumbling e físico e, até agora, nenhum caso de contaminação foi registrado no ginásio, mesmo durante o pior cenário da pandemia na cidade, no início de agosto.

O retorno do esporte onde há recursos para investir em testes para a detecção do vírus. Foto: Laura Zago/CBF

Enfrentar os riscos com medidas de segurança é a opção que, a partir de agosto, começou a ser colocada em prática pelos ginásios dos estados que concentram os principais pólos do esporte no país.

Os ginásios deram início ao retorno dos treinos presenciais tomando cuidados especiais e com adaptações ao que parece ser o “novo normal” do cheer: estações de treino individuais, distância mínima entre os atletas, redução drástica do número de presentes, foco no físico e no tumbling, higienização constante dos atletas e equipamentos, máscara e distância constante. A presença nos treinos presenciais também costuma não ser obrigatória: vai quem quer, sem cobranças.

Nos grandes centros e mesmo em cidades menores que passaram pelo pico da primeira onda, a população avança em processo de aprendizado. No Rio, a sexta e última fase de flexibilização aconteceria no último final de semana, mas o conselho de saúde que assessora a prefeitura preferiu esperar um pouco mais. São Paulo planeja avançar de fase entre 20 de setembro e 10 de outubro.

Com diferenças tão grandes em território nacional, é comum que perspectivas e decisões variem. Uma coisa parece certa: até uma vacina ou tratamento eficaz, o verdadeiro retorno do Cheerleading no Brasil não acontecerá. Sem stunts, que exigem contato físico próximo, não há cheer de verdade e, talvez por se aproximar bastante da área da saúde, o esporte ainda não foi arrastado pela multidão que hoje vive como se nada fora do comum estivesse acontecendo.

Rio de Janeiro
Parte do Rio de Janeiro já saiu da quarentena. Ruas – e praias – cheias mostram uma cidade que cansou de esperar, mesmo com números que retratam um estado que ainda não controlou a doença. Desde o meio de junho, o estado registra um caminho de altos e baixos que marca a lenta queda na média de óbitos. No final de agosto, a curva volta a subir, mas já registra queda novamente. Na cidade do Rio, onde a maioria dos ginásios se concentra, foi anunciada no início de setembro a redução do Estado de Alerta para o Estado de Atenção. Hoje, a tendência da doença, que já foi de queda, é de estabilidade no estado.

No mundo do cheer, poucos atletas decidiram retornar aos treinos. O Elite All Star realizou seu primeiro treino aberto presencial no início de agosto e segue recebendo atletas para treino aos domingos. O número de presentes ainda reflete o receio de muitos a voltar aos treinos.

O Royal Cheer Rio também já está dando treinos presenciais. Fechado desde dezembro, o ginásio reabriu com apenas 15 atletas divididos em 4 dias. Para esse momento, o RCR investiu em segurança e treinos qualificados. “Cada um entra no ginásio, faz a higienização do tênis, tem a tempratura aferida e lava as mãos uma primeira vez. Depois vai direto guardar suas coisas, faz uma nova higienização das mãos para assumir seu lugar carregando sua água, álcool etc. Para o tumbling, cada atleta terá a sua pista e não haverá compartilhamento de aparelhos”, conta Marcio Tavares, coach e dirigente do RCR. O ginásio irá promover treinamentos de Debbie Love e do Woodlands Elite, sobre prevenção e fortalecimento.

O Arkhaios Allstar também reabre em setembro, mantendo o apoio psicológico e os treinos à distância. Nayara Araújo e Gabriel Rogoni vêm promovendo treinos de máscara para já acostumar os atletas para um retorno ao presencial lento e com máscara.

A Marvel All Star, outra potência do estado, segue fechada em Niterói. A cidade ligada ao Rio por uma ponte segue seu próprio ritmo. A reabertura foi freada recentemente por um aumento de 38,5% no número de internações por Covid-19 e a cidade segue com bloqueios em suas vias de entrada. “Nós voltaríamos, mas dependemos do espaço onde funcionamos. O clube segue fechado. Aguardamos as liberações, mas acredito que se não voltarmos até outubro não vale a pena pensar em nada esse ano. É esperar janeiro mesmo”, conta Leandro Rente, coach e dirigente da equipe.

O Grand Casino retoma as atividades no dia 15 de setembro. “Seguiremos com um modelo EAD mais ampliado, onde os atletas que optarem pelo EAD terão 3 treinos na semana com turmas reduzidas, melhorando a qualidade e o rendimento dos treinos. Aqueles que retornarem ao presencial terão uma aula na semana e um protocolo de treinos a fazer em casa”, explica Guilherme Leite, coach e dirigente do ginásio.

Fechado e sem previsão para voltar, só o All Star Avengers. A nova formação de uma das equipes mais tradicionais do país só deverá retornar aos treinos presenciais em 2021, após a imunização dos atletas ou em caso de controle dos contágios. “Eu, Nati e Dih acreditamos que é viável controlar o treino para que os atletas não se toquem, mas existem complicações que ficam fora da nossa capacidade. Durante os movimentos as mascaras se deslocam o atleta vai ter que colocar a mão pra ajeitar, a mesma mão que acabou de tocar o chão fazendo um exercício de tumbling onde outro atleta passou e por aí vai. Isso além das partículas no ar, que conseguem extravazar as mascaras e ficam suspensas, ou o trajeto que os atletas percorreram pra chegar até o ginásio. Também conversamos com nossos atletas e o feedback geral foi o mesmo: Eles não vêm uma possibilidade de treino seguro, então optamos por aguardar até que haja um cenário mais favorável”, conta Erik Reis, coach e dirigente. 

 

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

São Paulo e Brasília

O estado de São Paulo também vive uma meia-quarentena. As ruas estão cheias, mesmo com uma taxa de ocupação de leitos de UTI em 51,4% na Grande São Paulo e 54% no estado. Os números, como no Rio, apontam para estabilidade, mas, diferente do Rio, que vinha registrando queda no número de mortes há meses, São Paulo só viveu isso agora, de julho para agosto: pela primeira vez, o estado registrou queda no número de mortes de um mês para o outro.

Em São Carlos, o Sanca All Star já está em treino presencial desde o final de agosto. “No primeiro dia, recebemos apenas um atleta de quarenta. Estamos liberados para voltar, mas as pessoas estão com receio. Elas estão voltando aos poucos, mas com muito medo. Deve demorar uns dois, três meses para as pessoas retornarem ao ginásio”, conta Gian Carlo, dirigente e coach do Sanca. Ele destaca que o que é possível agora não é cheerleading de fato. “A gente se adaptou a uma realidade que espero que seja temporária. A gente não pode ficar treinando só salto, físico, tumbling por mais um ano. Aguardamos a liberação dos esportes coletivos, de contato, acredito que vamos adotar essas regras para poder voltar para o cheer”, conta Giancarlo.

O Spirit of Titans volta a abrir seu ginásio no meio de setembro, focando não só na segurança dos atletas dentro do ginásio, mas fazendo uma avaliação geral de riscos. “Nós recolhemos informações sobre como os atletas estão, como farão para ir até o ginásio na provável volta dos treinos presenciais e iremos determinar horários restritos para treinos individuais. Toda a aparelhagem de limpeza já está comprada”, destaca Tiago Bento, coach e dirigente do Titans.

Também em São Paulo, mas com decisão inversa, o Galaxy All Star não deverá reabrir mais em 2020, e já deu a temporada por encerrada. “Infelizmente, o Galaxy não vai reabrir esse ano até então. A maioria dos atletas iriam ao treino de transporte público e ainda não estão confiantes para isso. Também estamos procurando novo local de treino, pois espaços públicos estão fechados ou com atividade restrita”, explica Jonas Cajaiba, coach da equipe.

No Distrito Federal, o Brasília Xtreme aguardou antes de retornar e, agora, funciona com parte de seus atletas. “As autoridades já haviam liberado há algum tempo, mas estamos voltando com apenas 30 atletas dos 130 da equipe. Alugamos um espaço de ginástica já adaptado para todas as medidas de segurança exigidas”, conta Luiza Brasiel, coach e dirigente do BX. O Lotus All Star também retomou as atividades, optando pelos treinos ao ar livre. “O nosso espaço físico só vai voltar quando as autoridades permitirem. Enquanto isso, estou fazendo treinos com grupos pequenos no parque, que é arejado, tomando todas as medidas”, conta Fanny Barbosa, coach e dirigente da equipe.

Em Minas Gerais, Paraná, Bahia e demais estados, o cenário é diferente e, por enquanto, os ginásios seguem fechados. Mais informações sobre esses estados estarão em nova matéria sobre a reabertura, nos próximos dias.

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