Davi França – O dono da temporada universitária 2018

Cheerfest Supernational 2017. No tatame, as equipes All Girl dos ginásios All Star lutavam pelo título. Na lateral, onde os técnicos costumam ficar, concentrados na rotina, incentivando os times, uma figura vibrava a cada stunt, a cada basquet, a cada motion. Gritava, saltava, torcia com o time que havia treinado. Quando o último movimento do quadro de dança congelou e a música terminou, explosão de alegria. Ele pulava e abraçava Marcio Tavares, ao seu lado. Foi quando nossas lentes registraram a nossa primeira foto do Davi França, coach do time All Girl do Royal Cheer Rio.


Aquele técnico que vibrava com o Lady Rain, do RCR, vibrou novamente no último domingo. E com razão. Davi França, recém chegado de Orlando, onde representou o Brasil na Seleção Brasileira de Cheerleading, é técnico da Diablezas e da Bisetes nessa temporada universitária. As duas equipes venceram, respectivamente, o nível 3.2 e 2 do campeonato de cheerleading do Engenharíadas Paranaense, considerado o mais importante evento universitário para o cheerleading. Davi voltou de Toledo para o Rio com dois troféus para o currículo. Na verdade, três. No mesmo dia do Engenharíadas Paranaense acontecia em Minas Gerais o Engenharíadas Mineiro. A equipe Martelada, também treinada por Davi, foi a campeã. E naquele domingo, 03 de junho, Davi era coroado como o dono da temporada universitária de 2018.

C1C: Dois ouros no maior campeonato universitário do país e um em Minas. Como é ser o grande vitorioso da temporada universitária?

Davi França: Primeiramente muito obrigado pela oportunidade! Olha, essa galera valoriza MUITO essas competições, e minha maior felicidade é ver meus atletas explodindo de alegria. É algo inédito no Brasil e inédito em minha carreira de coreógrafo. Inclusive o fato de ter equipe competindo em ambas a competições. Estrear nelas e conseguir algo desse tamanho, no cenário fortíssimo em que se encontram essas competições, não tem nada que eu fale que explicará o que estou sentindo!

Vestindo a camisa: Davi e a Diablezas, equipe campeã do níel 3.2 do EP2018. Foto: Cauê Souza

C1C: A que você atribui os resultados positivos da temporada?

DF: Trabalhei muito na montagem das coreografias e nos encontros com os times. Chegamos a virar madrugada aprendendo rotina! Acompanhei as 3 equipes durante a temporada de treinos a todo tempo disponível para que cada detalhe fosse acertado. Procurei estratégias funcionais para a realidade de cada equipe e do código de pontuação, que “ignora as realidades” e nos exige boas rotinas de alta dificuldade. Acho que amo muito esse esporte e procuro fazer com que os atletas amem também! Juntos conseguimos esses resultados.

C1C: A responsabilidade sobe junto com os resultados? Como devem ser os próximos campeonatos regionais (Paranaense e Cheerfest Paraná) para as equipes campeãs do Engenharíadas?

DF: O grande desafio do cheerleading universitário é sua renovação constante e inevitável. Não sei bem como se configura a estrutura dos times e suas disponibilidades para tais eventos daqui pra frente, embora os incentive a estar em contato com o esporte, competições etc. É muito trabalho, treino, gastos, esforço para ir apenas em uma competição! Nesse momento é cedo para responder sobre isso, porém o que prevejo é a mesma coisa de sempre, seja a equipe que for: trabalhar com a realidade e buscar a melhor performance possível visando boas colocações.

C1C: Com boas rotinas, o Engenharíadas dessa temporada foi decidido nas deduções de ilegalidades, com quatro times em disputa muito acirrada. Isso aponta para uma cada vez maior profissionalização do cheer universitário no Paraná?

DF: Eu vi poucas ilegalidades no EP2018, o que significa muito para a evolução do esporte no Brasil. Vou além e diria que praticamente todos os times do nível 3 tinham a dificuldade necessária para ganhar ouro. Mas só dificuldade não dá título. Esse EP deixou claro de uma vez por todas que só a dificuldade que o código pede é pouco para uma equipe campeã, e um titulo não depende só de uma rotina sem quedas e ilegalidades. Aproveito para enaltecer a organização da competição em contratar jurados aptos a um julgamento justo o que é muito importante! O cheerleading no Paraná está se profissionalizando cada vez mais! Coachs nas equipes, competições diversas com bons jurados, bons uniformes etc. Isso é bom demais!

Vestindo a camisa 2: Davi e a Bisetes, equipe campeã do níel 2 do EP2018. Foto: Cauê Souza.

C1C: Para você, o que diferencia o cenário universitário do Paraná dos demais estados?

DF: Exatamente essa busca pela profissionalização. O que acho que está acontecendo aos poucos no cenário do esporte brasileiro como um todo. Faz parte do processo. Há alguns anos atrás o EP mesmo, por exemplo, não era nada profissional.

C1C: Epidemia bateu o Helgas no ano passado no Cheerfest Supernational. Você e as equipes estão prontos para as revanches?

DF: Bom eu prefiro chamar de reencontros, nosso esporte é lindo, abraça tudo e todos e diferente do que tem acontecido no All Star, às vezes é triste ver que o cheerleading universitário ainda MUITO “rivalizado”. Tem muita gente que não entrou no espírito esportivo típico do cheer. Quanto a isso, trago a mesma perspectiva apontada: procuro e procurarei sempre trabalhar com a realidade e buscar a melhor performance possível visando boas colocações.

Martelada, equipe de ouro do EM2018.

C1C: Sobe a expectativa em relação ao Lady Rain. O que podemos esperar?

DF: A princípio o RCR não terá uma equipe All Girl representando o ginásio esse ano, o que é muito triste para mim. Estive a frente do projeto desde seu início, coreografando e treinando o primeiro time All Girl All Star competitivo do Brasil. Optamos a princípio por não acompanhar a tendência – levar o All Girl para o nível 3 -,  justamente por entender que uma boa performance requer muita coisa. Acho que todo processo deve ser respeitado. É preciso tentar sempre colocar o melhor possível no solo e acima de tudo com muita segurança! Logo, como a princípio não haveria outros times All Star competindo no nível 2, não há motivo/motivação em manter a equipe nesta temporada.

C1C: Quais são os seus planos para a próxima temporada universitária?

DF: Primeiro apenas comemorar. Conquistar três ouros nos maiores eventos universitários do Brasil é motivo de muita alegria! Depois, agarrar toda e qualquer missão que eu me propor com muito amor e determinação. Isso basta, o demais acontece!

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