Depois de 2 anos de hiato, Brasil volta a ter competições de Cheer

O primeiro dia de Arena ficou marcado pela grande interação do público (atletas presentes no local) junto às rotinas que estavam sendo apresentadas. Foi incrível poder assistir equipes que estavam há 2 anos sem competir, por causa da pandemia mundial, voltando ao tatame não só com níveis altos, mas mostrando evolução e crescimento.

Segundo os Jurados Carlos Bravo e Lorena Martinez, jurados da equipe Pro Score Chile, bancada de jurados do Arena 2021, cada ano o Brasil se supera nas competições.

“Não é a primeira vez que viemos ao Brasil, pois já estivemos outras vezes como por exemplo no CheerFest. Acreditamos que o nível no Brasil sobe a cada ano e nos surpreende cada vez que voltamos. Esta edição do Arena, particularmente, é a nossa primeira competição ao vivo desde 2019, justamente na edição do Cheerfest daquele ano. E como fazem 2 anos que não estivemos aqui, estar hoje aqui, presencialmente, assistindo e acompanhando esse crescimento e apresentação das equipes, nos deixa muito emocionados e orgulhosos.”

Questionados a respeito das pontuações, que foram consideradas altas pela equipe técnica do C1C, os jurados informaram que consideraram elas bastante justas. Alguns treinadores não gostaram de suas notas e estavam questionando ao fim da competição.

Sempre é importante lembrar que as notas de Cheer são feitas com base no que foi apresentado no tatame e não a intenção que era do treinador. Ainda falta conhecimento de grande parte dos treinadores para entender as sumulas, quando elas voltam dos jurados, que acabam sendo penalizados por escreverem no papel aquilo que viram no tatame.

“No Chile sempre buscamos utilizar a versão mais atualizada do Varsity, justamente pela importância de termos um código mais universal de pontuação que permita nossas equipes de participarem de competições internacionais. Às vezes, acontece de ocorrer algumas mudanças no código durante a época de competição, mas sempre procuramos manter a que estava no início da temporada do ano vigente, para ser o mais justo. Temos mais de 9 anos de experiência como jurados e às vezes não concordamos com algumas das modificações que ocorrem no código, mas é importante termos essa universalidade, contando com a consciência dos treinadores, a questão de construção de base dos seus atletas e a utilização do código ao seu favor. ”

Equipes no geral apresentaram boas rotinas

Pontos Altos da Competição:

– As Equipes Novas;

– As equipes All girls de todos os níveis, com rotinas bem estruturadas e bem executadas, e melhores se comparadas aos Coed dos mesmos níveis;

– Flyers homens se tornando mais comuns nas rotinas;

– Aumento de equipes com Tumbling completo para a pontuação da rotina;

Pontos Baixos da Competição:

– Quadros de Jumps e Dança que parecem ter sido ignorados por alguns ginásios, tendo execução bem abaixo da média do comum para o Brasil;

– Excesso de Quedas de Tumbling;

– Excesso de Ilegalidades;

– Excesso de atletas de diversas equipes saindo da área de competição; Não sabemos se eles foram despontuados, cada saída deveria despontuar 0,05;

Explicando o Arena:

Serão 2 dias de competição, o primeiro dia valendo 30% da Nota Final e o segundo dia valendo 70%. Ou seja, o segundo dia pode mudar todo o quadro, mas definitivamente estar bem colocado melhora o ânimo e confiança de algumas equipes.

Explicando o Varsity:

Na nova atualização do Código de Pontuação da Varsity, as rotinas partem de 50,00. Se a sua rotina foi considerada nota máxima em tudo e perfeita, irá tirar no máximo 50 pontos.

A Competição começa

A competição foi aberta pela equipe All Girl nível 1 do Lotus, competindo sozinha na categoria, que apresentou uma rotina com algumas quedas no Tumbling, mas com uma boa apresentação no Geral, causando uma grande animação da torcida. Stunts e Pirâmides bem executados e com efeitos visuais bem montados, assegurando para si uma pontuação de 38,10.

Lembrando que as rotinas do nível 1, diferente das rotinas de níveis 2 a 7, partem de 46 pontos, e não de 50 (por não conter quadro de basket na rotina).

Tivemos então o início das equipes Coed Nível 1, onde tivemos o Grand Cassino Uno, Sealand Rays e o Golden Cheers Bees.

A equipe do Uno apresentou alguns quadros dessincronizados e uma queda de energia durante a rotina, mas foi uma ótima apresentação, mostrando que o ginásio do Rio de Janeiro está focado em construir sua base para o futuro. Nota: 41,30.

Rays surpreendeu pela limpeza dos elementos, bem executado e sem pressa. Uma rotina bem estruturada, mais calma, que assegurou à equipe a pontuação de 43,10 e o primeiro lugar no primeiro dia.

Bees é uma equipe nova e menor, que veio com garra apresentar essa rotina. Infelizmente, alguns erros de sincronia e na estrutura da rotina, fez com a equipe não pontuasse tão alto, ficando com 40,40.

Nível 2 mostrando toda a força e importância da Base do Cheer

Logo após isso, tivemos o início da categoria All Girl Nível 2, que foi um embate lindo de ver entre as equipes do BX Xplore, Galaxy Nebulosa, Cosmo Andrômeda e CTC Hunger.

A equipe Xplore de Brasília, veio com um início de rotina muito forte, demonstrando grande habilidade de tumbling e controle corporal. Da metade para o fim da rotina, alguns problemas na pirâmide e problemas de sincronia, fizeram com que a equipe perdesse alguns pontos abrindo a categoria com uma pontuação de 46,70, conseguindo segurar o primeiro lugar.

A equipe Galaxy Nebulosa veio logo em seguida, apresentando algumas ilegalidades, mas com um tumbling muito bem apresentado. Alguns problemas na pirâmide também tiraram alguns pontos da equipe de São Paulo que somou 44,30 pontos.

A equipe de Espirito Santo, Cosmo Athletics, nova em competições, apresentou e representou muito bem o seu estado, com uma rotina animadora. Entretanto, algumas ilegalidades e problemas de sincronia, somadas as quedas fizeram com que a equipe destoasse das outras tendo uma pontuação de 42,00.

A equipe CTC Hunger, que contava com um grupo de Pais bastante animados na arquibancada, que algumas vezes era possível vê-los nas câmeras da Live do C1C, fizeram uma apresentação incrível. Alguns elementos podem ter sido considerados ilegais pela banca, mas no geral a rotina foi muito boa. Alguns elementos tiveram sua execução um pouco menos acertada justamente pela velocidade da rotina, muito alta para o nível. Ficaram na segunda colocação com a pontuação de 45,60.

Com o encerramento das equipes AG, tivemos, então, a competição das equipes Coed do Nível 2: RCR Reign, BX Xclusive, Lotus Coed 2 e Ultimato Coed 2;

RCR Reign veio com uma apresentação com o visual bem trabalhado. Apesar de algumas quedas nos Tumblings e alguns problemas na pirâmide, a equipe conseguiu se recuperar e finalizar bem a rotina conseguindo somar 44,40.

BX Xclusive entrou logo depois, com uma apresentação e tumbling fortes e bem executados se tornando uma marca das equipes de Brasília. Apesar de alguns problemas nos Stunts em relação à sincronia e um colapso de pirâmide a equipe conseguiu assegurar o primeiro lugar com 44,70.

A equipe do Lotus que entrou logo depois, chamou atenção pelos Jumps alongados e os Baskets bem altos. Tiveram alguns problemas nos Stunts, quedas de tumbling, problemas de sincronia e uma ilegalidade na dança logo no fim. Somaram 42,50.

O Ultimato veio para fechar o Coed nível 2, onde alguns elementos não seriam considerados pela bancada técnica do C1C, e não sabemos como os jurados avaliaram. A equipe teve alguns problemas de quedas no tumbling, o que com certeza diminuiu o Range e pontuação da equipe, e fechou com uma dança ótima que animou a torcida. No fim somaram 42,90.

Passamos, então, da metade da competição

A equipe TNT, do Grand Cassino, foi a única equipe a competir no Non-Tumbling, categoria que não tem quadros de acrobacias, durante o ano de 2021. A equipe que veio com nível 3, começou a rotina bastante forte, com apelo visual e um partner muito bem executado. Entretanto logo depois disso tiveram problemas em elementos de colaboração de pirâmide e isso com certeza comprometeu o resto da rotina dos atletas. Numa possibilidade de 34,00 pontos, a equipe conseguiu somar 30,90.

Após isso vieram as equipes All Girl Nível 3, que basicamente foi um embate entre dois dos maiores ginásios do Brasil, RCR Lady Storm e BX Xplosion. Foi de longe a minha categoria favorita, em questão de dificuldade, execução e uso de efeitos visuais.

RCR Lady Storm, que começou a rotina com uma atleta fora de sincronia em relação ao resto da equipe, apresentou uma rotina incrível. Apesar de alguns problemas em Stunts, que provavelmente lhes custos alguns décimos, o tumbling da equipe estava forte, com Jumps bons, pirâmide boa e uma dança com efeito visual maravilhoso. Conseguiram somar 45,50.

A equipe BX Xplosion que veio logo em seguida também teve um início um pouco desestabilizado mas a rotina como um todo teve uma ótima execução. Stunts bem trabalhados e figura bem apresentadas. Fecharam com uma dança que também tinha um apelo visual bom. Seguraram a primeira posição com 47,30.

Chegamos então ao Coed Nível 3, que competiram Galaxy Black Hole, Sealand Sharks, Cosmo Orion, RCR Chaos, BX Xcellence e Grand Cassino Jokers.

Black Hole teve um início conturbado onde foi possível ver alguns atletas se trombando na movimentação para as suas posições e a apresentação de algumas ilegalidades. Entretanto, a equipe veio com um tumbling forte, baskets bastante altos, o que aumentou o apelo visual e animação da torcida, além de ter tido, como ponto alto da rotina, um movimento de invertida em arco a figura na pirâmide central que fez com que a torcida toda na arquibancada vibrasse. Alguns problemas na segunda parte da pirâmide custaram pontos preciosos para a equipe que somou 45,60.

Sharks veio em seguida com uma execução mais apurada e apesar de uma das técnicas de Giro no basket parecer um pouco confuso e pouco segura, a equipe saiu no geral com uma execução de boa para ótima, tendo um Flyer Homem na rotina com ótima execução e tumbling muito bom. Algumas instabilidades nas pirâmides podem ter custado alguns décimos, e no final somaram 46,10, apenas 0,1 atrás do primeiro lugar.

A equipe Orion foi a primeira equipe do Coed 3 a apresentar um quadro de Coed maior e com mais atletas participando além do pedido pelo Código, e por isso eu tiro o meu chapéu para eles. A equipe que também se apresentou com Flyer homem, teve alguns problemas nos Stunts e um colapso total de pirâmide no fim provavelmente diminuiu bastante a nota da equipe. Uma curiosidade da rotina a apresentação de um quadro de Baskets com 3 Baskets Distintos sendo executados, não sabemos como os jurados reagiram a essa diferença. Somaram 43,40.

O Chaos que veio logo em seguida talvez tenha alguns elementos não considerados pelos jurados dependendo do ângulo de observação, mas no geral eles tiveram uma ótima execução. Ficou claro que alguns Stunts não subiram quando deveriam ter subido, mas não perderam pontos por quedas. A rotina no geral foi muito boa, a pirâmide muito bem montada e apesar de algumas instabilidades, conseguiram manter a equipe no topo da categoria. Foi uma das danças mais bem trabalhadas da categoria, cumprindo todos os requisitos e apelo visual. Seguraram o primeiro lugar com 46,20.

O Xcellence continuou com a marca do BX de vir com rotinas com quadros de tumbling muito difíceis, bem executados e com desenhos de transição muito bem montados. Jumps muito bem apresentados e com ótima extensão. Entretanto problemas em alguns Stunts, inclusive um Stunt que não subiu e os elementos não foram considerados, comprometerem a nota da equipe de Brasilia. A pirâmide também teve problemas e no final a equipe ficou com 45,80.

A equipe do Jokers que veio para fechar o Coed Nível 3, teve um início de rotina muito boa! Forte e com boa execução, entretanto após uma queda direta ao chão em um dos Stunts, a equipe parece ter se desestabilizado e passaram a ter erros seguidos nos Stunts e Pirâmide. Fecharam a categoria com uma pontuação de 44,00.

Tivemos então a apresentação de 2 Equipes POM que no momento estão empatadas. Ambas as equipes possuem pontos fortes distintos, uma delas com mais colaborações e acrobacias que a outra, e a outra com giros e pivôs mais bem executados. Ambas as equipes fizeram uma ótima apresentação, apesar de ter acontecido num Foam, que geralmente dificulta os giros.

 

O embate do All Girl Nível 3 se repetiu no Coed Nível 5

Duas equipes se apresentaram no mais alto nível do Cheer do Brasil, RCR Ashe5 e BX Xception.

A equipe do Rio Ashe5 começou com um Canon de tumbling muito bem executado e forte. A equipe veio muito bem treinada e com Stunts Limpos. Alguns desequilíbrios e pequenos problemas nos Stunts não tiraram da equipe a primeira posição. Tive a impressão que a equipe executou o mesmo elemento de descida de Dupla Pirueta duas vezes em momentos distintos na rotina. O último basket da rotina teve uma recepção um pouco insegura. Mas nada disso muda o fato que a rotina estava incrível e bem executada, com uma dança que não só cumpria os requisitos, mas com marcas de detalhes características das rotinas dos seus treinadores. A equipe conseguiu somar 47,30.

A equipe de Brasília Xception começou extremamente forte, com 2 elementos para quadro de partners seguidos, sendo um deles de Full Up para a máxima. Descidas limpas e Stunts muito bem montados com efeitos visuais incríveis como do elemento de invertidas com giro, entretanto problemas na pirâmide e um possível colapso custaram pontos preciosos para a equipe que ficou atrás por apenas 0,10 pontos, somando 47,20 pontos.

Amanhã teremos mais um dia de competições, com competições individuais e o segundo dia por equipes, onde toda essa classificação do primeiro dia pode mudar. O C1C estará lá cobrindo tudo e trazendo para vocês em primeira mão!

Confira abaixo o Ranking do Primeiro dia:

Texto e análises técnicas: Pyter Arêas
Revisão e edição: Louise Aguiar