DIRETAS JÁ! Sem votação ampla, nem Lara, nem Felipe, nem Rodrigo me representam

Erik Reis – Diretor Técnico do C1C

Eu não cheguei ontem ao esporte. Eu estava lá na primeira equipe All Star do país. Estava lá também quando a União Brasileira de Cheerleaders (UBC) passou a organizar o Campeonato Nacional. Como eu, muitos dos atletas da primeira leva do cheerleading competitivo brasileiro também acompanharam todo o caminho da UBC até aqui.

Conheci todos os envolvidos nessa história lamentável que tomou conta das nossas vidas no final do ano passado. Como um dos coaches assistentes da atual Seleção Brasileira, lá estava eu em mais um movimento do esporte: o surgimento de uma diretoria que ninguém sabia que estava se formando e que, após acordo com um presidente afastado há anos por uma profunda crise de imagem causada por uma péssima administração, elegeu a si mesma para dirigir a entidade que deveria me representar.

Lara Magalhães não é vilã de cinema. Ela não fez nada além do que Benjamin Beltran, Clara Ascencio e Felipe Leal não tenham feito antes: sem eleição de amplo conhecimento, sem o escrutínio da mídia e de todos os lados envolvidos e, principalmente, sem a participação da comunidade do cheer nacional, se fez presidente.

Como cada um deles chegou a esse ponto difere. Benjamin foi “nomeado” por Rodrigo em um processo que não respeitou o estatuto. Depois, Clara Ascencio, também “nomeada” por Rodrigo informalmente, passou a tentar organizar e legalizar tudo, mas não conseguiu. Felipe assumiu a presidência após a desistência de Clara e vinha trabalhando para agilizar os trâmites para que a formalização, finalmente, acontecesse. Já Lara buscou fazer tudo dentro da lei, mas sem a publicidade mínima natural de toda e qualquer eleição de entidade social representativa e apoio da comunidade. O fato é que nenhum deles foi votado para estar onde está.

Rodrigo Gonçalves não se encaixa aqui. Como um dos fundadores e sendo a pessoa que efetuou o registro da entidade, é absolutamente natural que ele presidisse a mesma até o fim do primeiro mandato. O mesmo ocorre com Lara na Confederação de Cheerleading. É possível que alguém ache estranho, já que a UBC tem muitos anos. Acontece que a UBC era uma empresa até 2017. Só três anos atrás a entidade se tornou de fato uma associação esportiva, passando a ter personalidade jurídica condizente com a finalidade que se propunha a exercer. Começou ali a gestão oficial de Rodrigo à frente da associação esportiva. De 2009 a 2017, a gestão foi, como a de Clara e Felipe, simbólica e, justamente por isso, nunca houve eleições e Rodrigo nunca cumpriu com as obrigações que um presidente deve cumprir por lei como, por exemplo, prestar contas ou terminar seu mandato e convocar eleições.

De 2017 para cá, Rodrigo Gonçalves passou a presidir legalmente a UBC, mas só no papel. Não apareceu mais em campeonatos, não trabalhou com as gestões simbólicas que sabia que existiam, mas também não tomou, até onde se sabe, nenhuma providência para assumir seu cargo de fato. A presidência da UBC, inclusive com participações em assembleias do ICU, seguiu sendo ocupada informalmente e suas ações foram amplamente divulgadas, não só nas mídias da UBC como também pela imprensa. Até aí, zero reivindicação por parte do Rodrigo.

Agora, faltando sete meses para o fim da gestão, Rodrigo ressurge para renunciar e passar a diretoria para Lara. Ela, aqui, é detalhe. Podia ser qualquer um: sem eleições não há diretoria eleita. Não há eleições sem associados e a UBC não associa atletas há anos até onde se sabe. Legal ou não, todo esse movimento feito às escondidas da comunidade do esporte, contando com poucos apoiadores e nenhum apoio de maioria, não é legítimo, não representa ninguém.

Depois que a assembleia que teria eleito a nova gestão foi anulada – e não falta motivo, pelo menos moral, para isso – tudo mudou. Agora, a UBC tem uma presidência legal que acabou de tentar renunciar em uma assembleia que ninguém sabe ao certo se tinha algum valor legal.

E, agora? Agora, há uma única chance para que nós atletas tomemos o controle de fato da UBC. Agora, nós nos associamos de fato e, como associados, fazemos valer a nossa voz em assembleia. Mas não em uma assembleia formada por meia dúzia de apoiadores do projeto de poder de A ou B, mas uma que tenha a presença e participação minimamente condizente com o número de atletas no Brasil. Uma assembleia que respeite o estatuto ao qual ela é subordinada até que ela mesmo o mude – e muita coisa precisa mudar ali.

O tempo da informalidade passou. E passou agora. Não estou disposto a aguardar até julho assistindo a gestão tampão de uma diretoria que tentou renunciar à gestão da UBC. Fosse ela quem fosse, depois da forma covarde com que uma suposta eleição teria ocorrido, eu não estaria disposto. É por isso que eu e outros atletas estamos nos organizando para nos associarmos oficialmente à UBC de Rodrigo Gonçalves.

Todo o processo de contato com o atual presidente, as respostas – e silêncios –, bem como todos os movimentos legais deverão ser colocados à disposição da mídia e de todos via redes sociais sem atraso, demora ou autorização de terceiros. Uma vez associados, nós – não eles apenas, sejam “eles” quem forem – iremos decidir JUNTOS o futuro do esporte. Chega de monarquia e ditadura. O esporte não é de vocês. Ele é nosso. Parem de tentar se apoderar do que não têm direito ou façam isso de forma transparente, com ampla participação dos atletas.

Se me permitem um conselho pessoal e direto, parem de agir pelas sombras. Fica feio para vocês, para as equipes e entidades que vocês representam, para a carreira de vocês no esporte. Está todo mundo notando e, como devem ter percebido pelas reações de atletas de todo o Brasil nos últimos dias, estamos bastante decepcionados com vocês. Para quem é o conselho? Para quem precisar dele. É do tipo que qualquer bom amigo daria se visse alguém querido se envolvendo em maquinações para dominar entidades sem conhecimento da maioria dos interessados. Pode ser para o Felipe, que não chamou eleições imediatamente quando “assumiu”, ou para a Clara, que não organizou a associação de fato dos atletas enquanto pôde, ou mesmo para o Rodrigo, que sumiu anos para voltar só para renunciar. Serve pra quem achar que deve. Nos vemos nas assembleias e nas urnas. 

 

Revisão: Isabella Boddy (C1C PR) e Carina Fischer (C1C PR).

 

 


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