Dos paletós ao brilho – Uma retrospectiva dos uniformes de Cheerleading | Pt.1

Pensar em cheerleading e não lembrar dos belíssimos uniformes brilhosos é quase impossível. Eles trazem referências de outros esportes, como da ginástica e da patinação, que combinadas se tornam o manto que representa a identidade das equipes.

Carina Fischer – C1C Paraná

Os uniformes de hoje são quase tão importantes quanto a rotina em si, são tão bem pensados e elaborados que dão um show à parte e complementam os espetáculos que assistimos nas competições.

Mas claro que nem sempre eles foram assim do jeitinho que conhecemos e amamos. Então, para te contar um pouquinho da trajetória (e transformação) dos uniformes, vamos fazer uma série de três posts com uma retrospectiva que se inicia lá no século XIX.

Os Primeiros Grupos

No final do século XIX (1880), surgiram os primeiros grupos de animação, totalmente ligados aos esportes universitários, mais precisamente ao futebol americano. De início, os grupos eram exclusivamente masculinos, e o primeiro registro fotográfico encontrado é este abaixo, do “pep club” da Universidade do Kansas, do ano de 1899. Podemos observar que os únicos elementos característicos do cheerleading da imagem são os megafones, que remetem ao cheer sideline que era praticado na época.

 

Estudantes da Kansas University em 1899.


A vestimenta dos cheerleaders era um reflexo das roupas usadas na época e não ia além de usar suas peças do dia a dia, que consistiam em calças de alfaiataria, camisas de colarinho, cinto e sapatos sociais de couro. A única variação poderia ser o uso ou não de um paletó ou jaqueta. Outra peça muito usada era o chapéu, que também fazia parte da vestimenta comum da época, não sendo necessariamente algo relacionado ao cheerleading. A imagem abaixo é do primeiro grupo de animação da Universidade de Minnesota, criado por Johnny Campbell.

 

Johhny Campbell e a equipe que criou para liderar a torcida em jogos de football na Universidade de Minnesota.


Mulheres no Cheer
Pouca coisa mudou no cheerleading, e nos seus uniformes, de meados de 1930 a 1940, quando as mulheres começaram a se tornar membros ativos dos “pep clubs”. Durante esse período, muitos homens estavam servindo na guerra, e foi quando as mulheres tomaram conta do esporte. Isso mudou totalmente a dinâmica e a aparência dos uniformes. As peças usadas pelas cheerleaders ainda refletiam muito o estilo de moda da época, da mesma forma que também acontecia com os homens.

 

As mulheres – e os uniformes femininos – chegam ao cheerleading.

 

Como naquela época o cheer ainda era mais voltado para o sideline, sem incorporar muitos movimentos acrobáticos e saltos, as meninas usavam saias de lã ou crepe longas e sweaters com blusas de gola alta por baixo. Para os homens, o vestuário manteve-se quase igual ao mencionado anteriormente, com calças de alfaiataria, cintos, camisa social e jaquetas por cima. Nos pés, eles utilizavam um tipo de sapato Oxford, com cadarço e sola lisa, e longas meias brancas.

 

Cheerleaders (sideline) torcendo pela Força Aérea Americana no campeonato europeu de Football em Wembley , 1952.

 

Foi em torno 1950 que os times começaram a possuir uma unidade nos seus uniformes, era o início da identidade do esporte que conhecemos atualmente. Os atletas passaram a utilizar todos as mesmas blusas de manga longa, com listras desportivas nas mangas e bordados com as iniciais da instituição que representavam. Tais características foram repaginadas e encontram-se até hoje nos uniformes que vemos nas competições.

Os homens usavam calças que possuíam as listras correndo verticalmente nas laterais externas das pernas. As saias das mulheres ainda eram de lã batida, porém já ficaram um pouco mais curtas, com o comprimento na altura do joelho.

O início da identidade estampada nos uniformes, em 1950.

 

Podemos facilmente perceber que a vestimenta dos atletas era reflexo dos padrões da sociedade, e acompanhou as mudanças de cada época. Foi somente depois de 1950 que aconteceu a primeira evolução marcante dos uniformes de cheerleading, da qual falaremos no próximo episódio da série “Dos paletós ao brilho – Uma retrospectiva dos uniformes de cheerleading”. Até lá!

 

Texto e produção: Carina Fischer (C1C PR)

Revisão: Gabriela Rapp (C1C GO) e Isabella Boddy (C1C PR)

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