Emigrando com o cheer na mala

Dentre tantas variáveis existentes no mundo atual, a emigração se tornou uma realidade que cresce a cada dia mais no país, inclusive no meio cheer. É o caso de Moreidy, Davis e Lysmailim, cheerleaders venezuelanos que vieram ao Brasil à procura de oportunidades e que buscam melhores condições de vida tendo como principal aliado o esporte.

Em busca de novas chances

O êxodo venezuelano tem sido tema recorrente nos veículos de informação brasileiros que abordam questões internacionais. A magnitude do fenômeno explica o interesse que desperta: nos números mais atuais, de junho do ano passado, o fluxo imigratório já tinha quebrado a barreira dos 4 milhões. A projeção – anterior à pandemia – era de que se chegasse a 7 milhões de pessoas em 2021.

Para se ter uma ideia, a guerra na Síria deslocou cerca de 6 milhões de pessoas para fora do país de 2011 a 2017. A guerra do Afeganistão também moveu algo próximo de 6 milhões em 11 anos.

Nosso país é o 4º maior destino: foram mais de 160 mil imigrantes até ano passado. São 160 mil histórias que iniciaram um novo capítulo na nossa terra-natal. Em meio a tantas histórias, hoje vamos contar um pouquinho de uma delas. Conheça Moreidy, uma cheerleader imigrante.

 

Rumo ao Brasil

O ano é 2018. Moreidy Valera e seu esposo Davis Mejias, ambos cheerleaders, decidem sair de seu país, pois não tinham qualquer perspectiva de melhora de vida num futuro próximo. Uma decisão difícil, agravada pela responsabilidade de uma gravidez e dos filhos que estavam a caminho. Logo o casal teria duas vidas frágeis para cuidar, não havia mais como esperar as coisas melhorarem.

A jornada não foi nada fácil. Ao chegarem em Pacaraima, município situado na fronteira com a Venezuela, precisaram ir a pé até a capital, Boa Vista, a mais de 200 km de distância. A exaustão física foi apenas um dos riscos que Moreidy e seus filhos enfrentaram, pois a violência é sempre uma possibilidade à espreita.

Ao chegarem em Boa Vista, as dificuldades ainda não tinham terminado. O casal teve de morar na rua e se alimentar do jeito que dava até conseguirem ser acolhidos por uma missão da ONU. Lá, conseguiram abrigo, comida e cuidados médicos. Os gêmeos nasceram saudáveis e receberam os nomes de Rachell e Lucas. Conseguiram se estruturar de modo que, no início desse ano, conseguiram sair de Roraima rumo ao sul do país, mais precisamente para Gravataí, no Rio Grande do Sul. Moreidy é muito grata à ONU e faz questão de usar esse espaço para agradecê-los.

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Davis e Lysmailim fazendo stunts no sinal.
 

Companhias que o cheer deu

Além do casal, a amiga Lysmailin também acompanhou a jornada. Eles se conheceram no cheer e treinam desde 2012. Chegaram a disputar campeonatos por lá, enquanto estes ainda existiam. Mesmo depois de tudo, ainda continuam amando o cheer que, hoje, assegura a comida na mesa: eles fazem stunts no sinal para complementar a renda.

Os dois ainda planejam ir ao Rio de Janeiro para treinar em uma equipe All Star e continuar aperfeiçoando suas habilidades. Depois de tantos percalços, o cheerleading pode reconectar essas almas à sua origem e tornar sua nova casa um pouco mais acolhedora.

Neste ano, Moreidy teve seu primeiro dia das mães como uma. Sua história nos faz lembrar as das guerreiras que estão por aí, lutando com todas as suas forças, dispostas a deixar tudo para trás e enfrentar o desconhecido na esperança de um futuro melhor para seus filhos.

Texto: Iago Bastos (C1C RJ)
Entrevistado: Moreidy Valera
Revisão: Gabriela Rapp (C1C GO), Isabella Boddy (C1C PR), Letícia Conde (C1C SP)

 

Aproveitamos o espaço para divulgar uma ação que está sendo realizada em prol do auxílio dessa família. Acesse Vakinha e faça sua contribuição. No site, você preenche algumas informações básicas e pode escolher o modo de pagamento da doação.

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