Fiquem em Casa: um apelo aos atletas e às lideranças do esporte

Iago Bastos, diretor de Planejamento e Estratégia do C1C

“Mesmo que não se consiga completamente bloquear a transmissão ou impedir a invasão no Brasil, é fundamental que se consiga diminuir a velocidade de transmissão. Isso tem impacto na habilidade do sistema de saúde de tratar de forma adequada os pacientes e evitar os óbitos”, explica Marcelo Gomes, pesquisador em saúde pública do Programa de Computação Científica da Fiocruz em matéria para a Revista Exame.

A pandemia que vem assolando o mundo no começo deste ano desembarcou oficialmente no Brasil no dia 26 de fevereiro, quando o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso. Vinte dias após, chegamos a 200 casos registrados, o suficiente para endurecer as medidas de prevenção por parte das nossas autoridades, mas parece que não o bastante para preocupar boa parte da população, que continua a exercer suas atividades sem a menor restrição.

No último final de semana, o cheerleading mostrou que está na parcela negligente da população. Basicamente todos os ginásios mantiveram seus treinos e mesmo os que suspenderam continuam com atividades normais durante a semana.

Antes que alguém se ofenda, peço que continue lendo. Este artigo não tem a intenção de apontar dedos, mas servir como mais um pequeno gesto de conscientização. Até porque este que vos escreve também viveu uma semana inabalada. Barzinho, aniversário… até que a ficha caiu. Devemos olhar para frente, para o que ainda podemos fazer.

Um país que foi contagiado na mesma época que o Brasil foi a Itália. O primeiro paciente foi diagnosticado no dia 19 de fevereiro, apenas uma semana antes de nós. Hoje, a Itália é o país com o maior número de casos da doença fora da China (27.450 casos) e o país com a maior taxa de mortalidade – 7,3% em comparação a 3,7% de taxa média global. 

A principal causa do contágio massivo na Itália foi a falha das instituições daquele país em responder adequadamente ao problema. Os hospitais que receberam os primeiros pacientes, não seguiram o protocolo correto. O governo não tomou as medidas cabíveis rapidamente – como a suspensão de conexões com as regiões infectadas e controle de fronteira.

A situação de calamidade pública colocou o país inteiro em quarentena – as pessoas só podem sair de casa para comprar comida, trabalhar e ir ao hospital – com direito a toque de recolher. E ainda assim não está sendo o suficiente para frear a doença. Algumas regiões estão ameaçadas de ter que paralisar inclusive suas atividades econômicas, como a Lombardia.

Felizmente, nossas instituições têm lidado de forma satisfatória e obtiveram bons resultados até aqui. Destaque para os órgãos públicos de saúde, os hospitais privados e as secretarias de saúde estaduais. Destaque negativo para o presidente mentecapto.

Contudo, se faz extremamente necessário agir na esfera social e nós enquanto indivíduos temos o poder e o dever de nos engajar nessa luta global. O chamado distanciamento social é a melhor estratégia que podemos adotar como é possível ver nesse artigo do Washington Post extremamente didático. (Resumindo para quem não pode ler em inglês: trata-se de adotar hábitos que diminuam ao máximo o contato com aglomerações ou pessoas que apresentam sintomas. Se adotado em larga escala, é possível diminuir a velocidade do contágio).

Taiwan é o país modelo no combate ao Coronavírus. A ilha fica apenas a 130 km da China e possui uma população de 23 milhões de habitantes, dos quais 850.000 trabalham na China e, além disso, grande parcela dessa população possui familiares vivendo em território chinês. Mesmo assim, o país tem apenas 47 casos e um óbito.

O sucesso explica-se pela rápida atuação das autoridades de Taiwan, que já em dezembro começaram a se mobilizar e a planejar a contenção. O controle da fronteira e do fluxo de pessoas oriundas da China e do Irã, o isolamento de pacientes suspeitos e a adesão da população ao programa permitiram que Taiwan neutralizasse o surto de Corona em seu território.

A comunidade do cheerleading pode optar por continuar ignorando o mundo ao seu redor até um momento crítico. Essa alternativa, sem dúvida, coloca em risco muitas pessoas, sobretudo aquelas que pertencem a grupos de risco.

Ou a comunidade pode escolher se engajar na luta e se articular para conscientizar aqueles com quem possui contato. Se cada cheerleader desse país fizer sua parte, podemos mostrar que nosso contágio é mais forte que o desse vírus.

E vocês treinadores, cumprem um papel fundamental nesse processo, pois vocês são líderes. Não guie seus atletas para um caminho de negligência. Há uma causa maior em jogo aqui.

Todo o texto serve apenas como base para o apelo que segue abaixo:

Suspendam os treinos

O Brasil está em um momento divisor de águas. Seguirá a Itália ou seguirá Taiwan. A escolha está em nossas mãos.

Revisão: Isabella Boddy

 

biblio:

https://exame.abril.com.br/mundo/mapa-mostra-como-o-brasil-e-o-mundo-respondem-ao-coronavirus/

https://exame.abril.com.br/mundo/coronavirus-mata-oito-vezes-mais-na-italia-do-que-na-coreia-do-sul/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2020-03/mortes-por-coronavirus-na-italia-disparam-e-lombardia-busca-restricoes

https://www.washingtonpost.com/graphics/2020/world/corona-simulator/

https://veja.abril.com.br/mundo/como-a-italia-se-tornou-o-segundo-pais-mais-afetado-pelo-coronavirus/

https://veja.abril.com.br/mundo/como-a-italia-se-tornou-o-segundo-pais-mais-afetado-pelo-coronavirus/

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