Igor, Wendy, Reember e os primórdios do Partner Stunt no Brasil

Uma das modalidades mais admiradas e disputadas lá fora, o Partner Stunt já percorreu um bom caminho no cheerleading nacional. Presente hoje em todos os campeonatos nacionais com um nível alto de competição, o partner chegou ao Brasil pouco depois das modalidades team cheer. Embora seja impossível determinar exatamente onde e quando começou a ser treinado a sério, é de conhecimento geral que a modalidade só é o que é hoje por causa da dedicação e do trabalho de três atletas que não só se destacaram como fizeram isso de forma que levaram outros atletas – alguns dos melhores hoje no cenário nacional – também desafiarem seus próprios limites no partner stunt. 

Igor Domingues, Wendy Simão e Reember Cano são considerados por muitos três das primeiras estrelas da modalidade no Brasil graças a uma história testemunhada de perto por todos que acompanharam o trabalho dos três. Como parte da série de artigos de Iago Bastos (leia o primeiro deles clicando aqui), o  Cheer One Channel conversou com eles sobre o início de tudo, os desafios e o cenário do partner hoje.   

C1C – Como você conheceu a modalidade? Quando começou a treinar efetivamente?
Wendy: O partner foi o meu primeiro contato com o cheer. Comecei a treinar logo que entrei, em 2015.
Igor: Sempre fui um cara de esportes individuais. Por isso, foi muito difícil me adaptar ao cheerleading no início. Naquela altura, o foco era nas modalidades de time, no esporte coletivo. Então, comecei a ver videos e descobri a existência do partner.
Reember: Eu já treinava partner na Colômbia. Como na cidade que eu estava não tinha cheer, fiz ginastica acrobática. Lá havia um menino que conhecia o Cauê Souza e me contatou com ele. Combinamos para gente se encontrar em Campinas, treinamos e Cauê me falou do Deliders. Fui em alguns treinos deles e também vieram pessoas de lá treinar comigo em Campinas, mas como não era um time open decidi escrever para um par de grupos. Mandei e-mail para o Rio All Stars, que na época era o campeão, e pro Fierce Xtreme. A galera do Rio nunca me respondeu, mas o pessoal do Fierce foi muito amável e receptivo e por causa disso fui visitar eles em um treino ficando de vez com eles como meu time no Brasil.

C1C – O YouTube trouxe o partner pro Brasil, então…
Igor: Na verdade, lembro que em 2013, no campeonato nacional, vi o Leandro Rente (Marvel) fazendo algumas coisas de partner no tempo livre entre rotinas. Ele tinha acabado de voltar da Austrália com coisas novas na cabeça e, assim que voltei do campeonato, depois de ver que era possível, comecei a treinar de fato.

C1C – Vocês começaram numa época em que o cheerleading brasileiro estava consolidando suas técnicas de stunts e o conhecimento de partner era muito escasso. Como eram os treinos de vocês? De onde vocês tiravam orientação? Quais eram os principais desafios e as motivações?
Wendy: Os vídeos ajudavam muito. Assistíamos a vários e filmávamos sempre nossos treinos. A gente colocava muitas vezes um movimento em câmera lenta pra ver com mais detalhes e procurar acertos e erros. 
Igor: No começo tentamos dividir os treinos por elementos e focar cada dia em uma skill, tentando evoluir ao longo dos dias. Na época, existia um grupo no Facebook que se chamava “STUNT”. Nele a galera dividia informações, tirava dúvidas e compartilhavam os vídeos que estavam fazendo pelo mundo. Sempre foi difícil não ter alguém do lado para orientar e lidar sempre com os elementos vistos em vídeo.
Reember: A primeira base que eu conheci na época e que era dos melhores, o Igor Domingues, fazia coisas como prep, extensão/ máxima e estava aprendendo fazer lib e cupie. Acredito que o panorama das melhores bases únicas no Brasil era semelhante. Meus treinos com o Igor eram bem informais, eu fazia algo e falava para ele tentar. Só pensei em como passar um treino quando entrei no Fierce, onde tive que aprender a fazer stunt group porque na Colombia eu não fazia. Lá eu só treinava partner mas, em pouco tempo, o Fierce passou a ser um time que treinava principalmente partner. Isto porque, na minha opinião, tanto as flyers quanto as bases evoluem mais rapidamente quando fazem base única. Além disso, de certa forma, os treinos dos melhores times na Colômbia são virados pro partner.

C1C – Nenhuma ajuda direta lá de fora?
Wendy: Sim. Mandamos alguns vídeos nossos para o Constantin (Stalzer) e o (Luis) Múrcia e tentávamos seguir as correções que eles passavam. Acho que a principal motivação era a própria superação. Desbloquear um novo movimento depois de muitas tentativas é a melhor sensação que existe.
Igor: Dustin Velasquez, Constantin e Múrcia sempre respondiam as dúvidas e davam conselhos em como melhorar o que estávamos fazendo. Amigos coaches aqui do Brasil também ajudavam com apoio e dicas. As coisas iam se encaixando e a motivação ia crescendo a medida que a gente se superava e via acontecer cada detalhe ou elemento. 

C1C – Vocês foram a primeira referência nacional em Partner Stunt. Foi um objetivo alcançar tal patamar? 
Wendy: Acho que nosso objetivo sempre foi com nós mesmos, com a superação dos nossos limites.O partner foi meu primeiro contato com o cheer e foi onde eu me apaixonei. Acredito que tivemos esse reconhecimento pela energia que tínhamos treinando, além da grande amizade que eu tinha com a minha base, o Igor.
Igor: Foi muito legal fazer coisas que ninguém havia conseguido fazer no Brasil. Tanteu e Wendy, como ao lado das outras atletas com as quais treinei, como Juliana e Mônica, com quem fiz o primeiro rewind. Ela foi uma das pessoas que mais me pilhou a treinar, apesar do pouco tempo que conseguimos treinar juntos.

C1C – Mas vocês sentiam o reconhecimento?
Wendy: Senti muito e sinto até hoje. O público do cheer é muito carinhoso. Fico feliz de poder ajudar a conquistar novos elementos.
Igor: Nosso objetivo era sempre aprender algo novo e tentar ensinar o máximo pra quem quisesse aprender. Era muito bom a galera vindo até nós!

C1C – No caso do Reember deve ser ainda mais diferente por ser referência em um país estrangeiro…
Reember: Eu gosto bastante, tem me motivado muito para treinar e ser melhor cada dia.

C1C – Reember ainda é um dos limit breakers do esporte no partner stunt. Há chance de vermos novamente Igor e Wendy nos tatames?
Wendy:
Infelizmente acho pouco provável pois não moramos mais na mesma cidade, o que dificulta muita coisa.
Igor: Infelizmente, pela correria do dia a dia, trabalho, faculdade e outras coisas, temos treinado muito pouco. Só nos encontramos umas 4 vezes no ultimo ano. Partner é uma paixão e eu quero muito voltar, mas ainda está complicado. Me mudei de Rio Claro para São José dos Campos e estou à procura por aqui para continuar treinando.

C1C – Conselhos ou uma mensagem pra quem está começando agora ?
Wendy: Flyer, confie na sua base. Ele precisa de você lá! Base, proteja sua flyer como sua vida, não deixe ela chegar no chão. E busquem sempre treinar com spotter. Acreditem, o progresso é mais rápido com uma segurança maior.
Igor: A galera tem que acreditar que é capaz. Nós brasileiros somos muito fortes e persistentes e, sempre que o treino estiver terminando, tem que dizer “vamos só mais uma vez”. Ainda que todo mundo saiba que nunca vai ser só mais uma. Rs
Reember: Como o esporte é exigente é muito importante ter um bom condicionamento físico, preparar o corpo para alto impacto e fortes tensões. Para quem me conhece sabe que tenho que estar alongando toda hora e fazendo fisioterapia e isto por não fortalecer meu corpo e alongar bem antes dos treinos quando eu era mais novo. E, finalmente, sejam dedicados e tudo que vocês se propõem, conseguirão fazer.

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