Valendo para o geral, Intereng promete disputa acirrada em 2019

A Temporada Universitária de Cheerleading já começou e alcançará seu ápice no 4º fim de semana do mês, juntamente com o feriado entre 20 e 23 de junho. É nesse feriadão que alguns dos grandes campeonatos considerados entre os mais importantes do cheerleading universitário acontecem por todo o Brasil. No Rio de Janeiro, os Jogos Integrados de Engenharia – Intereng está entre eles. O Cheerleading compete um pouco mais cedo, em 15 de junho, no estádio de São Januário.

Segundo a JC2, organizadora da logística do Intereng, a opção de fazer o campeonato mais cedo foi visando separar a disputa das equipes da apresentação de sideline feita pelas mesmas nos jogos. A ideia, apoiada pelas equipes e atléticas, é que os times estejam em sua melhor performance no campeonato e depois possam se concentrar sem preocupações no sideline durante os jogos.    

Equipes realmente competitivas
Não é atoa que o Campeonato de Cheerleading do Intereng está entre os grandes do esporte. Entre as equipes que disputam o título estão algumas conhecidas do cenário profissional. Os atuais donos do bronze são os atletas da Dragões Cheerleading, da UFF, que está entre os poucos times universitários que levam torcida para os campeonatos oficiais e têm uma atlética muito envolvida e dedicada ao cheerleading. É deles a prata do Campeonato Carioca no nível 3 em 2018.

O Cefet Destroyers, atual dono do bronze Carioca também estará na disputa. UFF Volta Redonda – o Sparks – também estão entre os competidores. Essa última equipe, inclusive, marcou presença no último Cheerfest International, disputando contra times de todo o Brasil e ficando em 4º lugar no nível 2, superando outras 10 equipes.

O tradicional Cheerleaders da Cachorrada, da UFRJ também entrará no tatame, defendendo o ouro de 2017. PUC, UERJ, UVA, UENF e UERJ-Resende também estarão na disputa.  

O retorno do cheerleading

O Campeonato de Cheerleading do Intereng RJ retorna esse ano após um hiato: não houve disputa no ano passado, bem como em diversos outros campeonatos no Rio de Janeiro. Segundo os atletas, o problema envolveu a arbitragem de 2017 – ou as informações passadas para os árbitros, levando ao erro. “Devido a uma má experiencia com arbitragem no ano anterior, em 2018 foi votado entre as atléticas por não ter Cheer. Esse ano as atléticas fizeram uma nova votação e foi acordado novamente a entrada da modalidade. Foram destacados os erros da edição de 2017 e ficou garantido pela organização que os mesmos não se repetirão”, conta Ana Oliveira, do Dragões da UFF.

Para evitar problemas, esse ano o regulamento do campeonato foi redigido com a participação das equipes, adaptando de regulamento profissionais. O engajamento foi grande. “Quando fui procurada para ajudar na montagem do regulamento desse ano, percebi um grande engajamento das atléticas e da empresa organizadora pra fazer uma competição bem organizada, sabe? Quiseram ouvir nossas opiniões, já que eles mesmo admitem não conhecer muito bem o esporte. Achei bem interessante essa abordagem, e o fato de contar ponto demonstra um interesse real da empresa e das atléticas em ajudar a fomentar o cheerleading”, conta Maria Lucia Pires, diretora da equipe da PUC.

Para evitar problemas, esse ano o regulamento do campeonato foi redigido com a participação das equipes, adaptando de regulamento profissionais.

Para a JC2, empresa organizadora do Intereng, o retorno do cheerleading aos jogos foi muito bom. “Acredito que há uma demanda grande dos atletas dentro das faculdades. É um esporte que hoje tem equipes formadas e pessoas interessadas e procurando. Essa procura faz as atléticas verem a necessidade de incluí-lo. Ainda não é uma unanimidade como o futsal ou o handball, e por isso é uma modalidade só da série A, mas ali já há times fortes, técnicos experientes, pessoal bem profissional. Para a gente, quanto mais modalidades esportivas nos jogos, melhor, desde que a gente consiga fazer isso com qualidade: que a gente tenha a capacidade técnica e operacional para realizar a competição e que as equipes estejam realmente engajadas para que aconteça”, conta Antony Bandeira, da JC2 Esportes, organizadora da logística do Intereng.

Valendo ponto, como deve ser

Em 2017 havia um debate feroz sobre a participação do cheerleading como uma modalidade “café com leite” nos campeonatos. Os chamados “desafios de cheer” não contavam ponto, principalmente porque as atléticas ainda tinham dificuldade de ver o cheerleading como esporte. Dois anos depois, o cheerleading volta ao Intereng pontuando para a colocação geral dos jogos, graças a uma longa batalha de atletas e dirigentes universitários nesse sentido. “É uma conquista e tanto! Nós lutamos desde 2014, quando criamos o time na PUC, para que fôssemos reconhecidos como esporte. No entanto, muita gente ainda vê nosso time como meninas que dançam com pompons para a arquibancada no intervalo dos jogos. Agora que nossa competição contará para o prêmio geral, nosso esporte ganha muito mais destaque e visibilidade e damos mais um passo na busca do seu reconhecimento. Além disso, agora temos um incentivo muito maior pra treinar e nos preparar pro evento”, comemora Maria Lucia.

Em Niterói, a comemoração foi geral. “É uma conquista gigantesca! Nossa atlética sempre nos valorizou muito, foi uma das primeiras a considerar o cheer como modalidade esportiva. Inclusive não poderia deixar de exaltar a Pré-temporada, que já foi matéria no site, e que pra mim foi uma divisora de águas pra eu sentir uma atleta de fato. Mas hoje, pela primeira vez em um campeonato universitário eu me sinto valorizada no meu esporte. Pela primeira vez estamos no mesmo patamar de outras modalidades e finalmente estamos sendo reconhecidos pelo que somos: atletas. Essa é a oportunidade de mostrar pra todo mundo o que é cheer e finalmente quebrar o esteriótipo de que somos dançarinos com pompons”, comemora Ana Oliveira da Dragões da UFF.

Preparação profissional

A preparação para o campeonato é sempre cercada de muito esforço e obstáculos. Para a PUC Engenharia não seria diferente: a equipe fez um tryout em março, comemorou o número de calouros interessados, mas estava ciente dos desafios à frente. “É sempre é um desafio ensinar tanta coisa para atletas que ainda nao conhecem muito bem o esporte. Temos a sorte de ter alguns atletas que já estão na equipe desde o início e que também são atletas All Star. Isso facilitou muito o desenvolvimento dos atletas mais novos, que contam com auxílio de pessoas mais experientes para executar os stunts”, destaca a diretora da equipe. A PUC volta para o ouro com treinos e rotina do premiadíssimo Davi França, do Royal Cheer Rio.   

“Pela primeira vez em um campeonato universitário eu me sinto valorizada no meu esporte. Pela primeira vez estamos no mesmo patamar de outras modalidades e finalmente estamos sendo reconhecidos pelo que somos: atletas”.

Para a Dragões, a preparação pro Intereng começou assim que souberam que a competição valeria para a pontuação geral “Nossa coach é a maravilhosa Julia Lemos. A rotina foi feita por ela, exceto pela parte da dança, que é assinada pelo também maravilhoso Jordano Rizzo, que ajudou a criar a Dragões Cheerleading e nos apoia e ajuda até hoje! Nossas dificuldades giraram em torno de uma regra votada em reunião pelas atléticas participantes, essas que argumentaram que as equipes deveriam ter um percentual máximo de homens pois seria “injusto” com as equipes majoritariamente femininas. O número de homens na dragões era bem grande e tivemos que nos reajustar, mas agora estamos dentro das regras e com uma equipe igualmente forte”, conta Ana.

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