Nova Linha Editorial C1C: Um ponto de virada necessário

Manobrar o Cheer One Channel nunca foi fácil. Ele nasceu o único veículo de mídia especializada no cheerleading nacional em 2017 e hoje, quase dois anos depois, continua sendo. Isso porque não é fácil manter a periodicidade, administrar equipe, priorizar pautas, manter contatos, apurar, redigir, revisar, editar, publicar, divulgar nas redes. É bastante trabalho e, como em todo trabalho, isso tudo só se alcança com dedicação e esforço.

Foram necessários alguns meses para que eu tivesse certeza de que conseguíamos entregar jornalismo de qualidade dentro desse nicho ainda inexplorado. O tempo provou que sim: éramos capazes de cobrir o cheer brasileiro com competência. Mas havia um obstáculo gigantesco com o qual até hoje não lidamos bem: a monetização. 

Monetizar informação é muito difícil. Desde que a imprensa existe no mundo, o debate sobre a importância de separar o editorial do comercial está no centro dos debates sobre a mídia. Embora exista uma diferença clara entre jornalismo e publicidade – no primeiro, a responsabilidade é com o público que espera ler a verdade, informações reais. Na segunda, a responsabilidade é com o contratante que espera ler o que é positivo para a sua marca – ainda há dificuldade em separar as duas.

Infelizmente, vezes e vezes, nós cruzamos essa barreira, indo e vindo entre o jornalismo e a publicidade. E nem sempre a questão foi financeira. Em um meio tão pequeno como o do nosso esporte, em um modelo de negócios como o nosso, o contratante era também a pauta. Campeonatos, o coração da competição, eram também nossa única fonte de renda. E isso sem dúvida atrapalhou o nosso trabalho no que diz respeito ao jornalismo esportivo. E, ao mesmo tempo que impedia nossa independência, não funcionava financeiramente: o retorno nunca foi suficiente para cobrir os gastos. 

Mas o problema foi além: enquanto cabeça do Cheer One Channel, sigo sendo também uma pessoa. E como pessoa, me relaciono com outras pessoas, faço amizades, crio laços. Prezo muito por onde coloco minha lealdade e busco a coerência como base da vida. Como resultado, em dado momento, passei a ter acesso a todo tipo de notícia, de todos os lados, extremamente relevantes para o esporte, mas que eram varridas para baixo do tapete porque envolviam pessoas das quais eu gostava e informações que elas me passavam como amigos.

Esse processo culminou em enxurradas de informações que vinham sempre com “não publique”. E, assim, o trabalho fica comprometido. Imagine você, coach, encontrando um amigo querido que te diz que encontrou uma fórmula mágica para que nenhum stunt jamais caia. Ele diz que vai te ensinar, mas a condição é que você não use a técnica. A partir de então você treina suas equipes sabendo como alcançar o quadro de stunt perfeito, mas não coloca em prática. É basicamente isso.

Já estamos há tempos na estrada. Foram mais de 120 matérias. O modelo de negócios se provou ineficiente. O que vendemos no Cheer One Channel não paga nem a luz que gastamos no escritório para manter o site rodando. E ao mesmo tempo que não conseguimos cobrir nossos custos, não podemos publicar as informações, presos por relações que são muito prejudiciais ao trabalho.

É por isso que hoje uma nova linha editorial entra em vigor. Espelhada nas diretrizes dos maiores veículos de imprensa, de acordo com os preceitos éticos do bom jornalismo, passaremos a colocar nossa responsabilidade unicamente com o nosso público, onde ela sempre deveria ter estado. 

As notícias relevantes, agradem ou não aos envolvidos, após apuração e checagem de fatos, serão publicadas. A mais alta lei do país, a Constituição Federal assegura ao jornalista profissional a liberdade e independência para fazer isso, que é sua obrigação por juramento.

As coberturas especiais estão saindo do nosso portfólio. Elas nunca funcionaram de fato e só prejudicavam o exercício do jornalismo sem amarras. Ao mesmo tempo que nos limitávamos pela possibilidade de vender uma cobertura, seguíamos sem retorno. Isso acaba aqui.

A partir de agora, campeonato nenhum precisará pagar por coberturas especiais, nem os profissionais, nem os universitários. Todos eles serão pauta de acordo com o nosso entendimento de relevância e nossa nova Linha Editorial. Tudo será informado, como é feito em qualquer outro veículo de imprensa.

O Cheer One Channel, enquanto existir, será um veículo de imprensa, não um outdor de eventos, projetos e equipes. O julgamento sobre o que é bom ou ruim, deixaremos para os leitores. Por aqui, só a notícia. Sabemos que o caminho do fato, da informação real não é simples. É possível que retaliações impossibilitem o nosso trabalho em alguma medida. Se em algum momento a maioria não souber lidar com isso e inviabilizar o trabalho, entenderemos que o nicho não está pronto para lidar com as coisas como elas são e colocaremos nosso esforço em algum outro lugar sem grande prejuízo para nós. Com sorte, onde há algum retorno financeiro.

Acreditamos, no entanto, que como em qualquer outro nicho, em qualquer outro esporte ou editoria, é possível respeitar o trabalho de todos e conviver com a transparência e com a liberdade de imprensa sem criar situações desconfortáveis.

Aos amigos e conhecidos que sempre nos trouxeram notícias, agradecemos muitíssimo e pedimos a sua ajuda: as informações são de interesse do nosso público – que também é o seu. Continuem trazendo notícias, cientes de que elas poderão ser publicadas. Nos libertamos hoje das amarras para amadurecer em um veículo de imprensa mais isento, praticando o jornalismo em tempo integral. Publicidade, a partir de agora, só nos banners, publiposts e promoções contratadas.

Instagram did not return a 200.