Novas alianças podem mudar o cenário do Team Brazil e além

Com anúncio de destinação de 10% dos lucros do Campeonato Carioca para a criação de um fundo nacional dedicado ao Team Brazil, Associação Carioca apoia formalmente a União Brasileira de Cheerleaders, entidade nacional filiada ao órgão máximo do cheer no mundo, o ICU e passam a atrabalhar juntas pelo esporte.

O Campeonato Carioca de Cheerleading publicou no início de maio a data da disputa em 2019: dia 27 de outubro, no Caio Martins, em Niterói. Mas uma coisa que chamou atenção dos mais atentos foi a presença de um logo que nunca antes esteve atrelado ao primeiro campeonato estadual do país. Ao lado do logotipo do prórpio campeonato, no espaço geralmente reservado para a organização e apoio estava o logo da União Brasileira de Cheerleading (UBC), a associação nacional do esporte, única filiada à International Cheer Union.

Em 31 de maio, novo indicativo de aproximação entre a Associação Carioca de Cheerleading (organizadora do campeonato) e a UBC veio a público: 10% do valor das inscrições, entradas e vendas do Camponato Carioca será doado para o caixa da UBC com destino específico: custear parte dos gastos dos atletas que representarão o Brasil no Campeonato Mundial de Cheerleading em 2020. É o primeiro apoio financeiro real, prático, de um campeonato ou associação ao projeto da Seleção Brasileira de Cheerleading.

A aproximação de associações
A aliança entre a UBC e a ACC, até então entidades distantes e praticamente sem comunicação, é resultado direto da mudança de políticas que vêm sendo implementadas desde a posse da nova diretoria, com Clara Ascêncio na presidência. A aproximação começou no início de 2019, após um primeiro contato entre Clara e Felipe Leal, presidente da ACC e organizador do Campeonato Carioca de Cheerleading. “Conversamos sobre o passado, presente e futuro do esporte e foi uma conversa enriquecedora para ambas as partes. Ganhamos confiança um no outro e, logo depois, ela me convidou para participar da Assembleia Geral da International Cheerleading Union, representando a UBC como Embaixador do Cheerleading no Brasil junto à ela. Junto com a gente estava o excelente Felipe Almeida, que vem auxiliando as ações da UBC”, conta Felipe.

A participação do Brasil na mais alta assembleia do esporte no mundo correu sem percalços esse ano. Na verdade, aconteceu exatamente o inverso de 2018, quando UBC – sob outra gestão – impediu a participação de outras entidades brasileiras. O caso do Brasil junto ao ICU, até então uma questão em aberto, pode ter dado um passo definitivo para uma resolução amigável, uma vez que Leal, antes um dos opositores à liderança da UBC junto ao órgão pela falta de transparência e abertura, ofereceu seu apoio após as mudanças implementadas pela nova direção. “No meio da reunião da América Latina, ajudei a reconhecer a UBC como órgão Nacional, que agora tem 100% dos poderes e garantias da filiação com o ICU. Foram dadas a nós as diretrizes para o avanço do esporte no Brasil, assim como um grande pedido: reforçar em território nacional a autoridade da UBC. Por isso comecei a pensar sobre tudo que poderia fazer para auxiliar a nova Presidente para uma melhor justiça social no esporte”, conta Felipe.

Representantes das nações da América Latina filiadas ao ICU durante a última Assembleia Geral.

O caso da Colômbia
A ideia da doação dos 10% dos ganhos do Campeonato Carioca para o team Brazil não nasceu do nada. Em conversas com a comitiva colombiana, Felipe e Clara souberam que a Federação Colombiana de Porrismo (FEDECOLCHEER) auxilia cada atleta com US$ 600, além de arcarem com os custos de espaço, uniforme, treinamento e coreógrafo. O cenário é ideal, mas como gerar caixa para isso?

Segundo Carol Bautista, secretária-geral da federação, todos os campeonatos colombianos só são considerados oficiais se forem filiados ao órgão nacional, de acordo com as diretrizes estabelecidas. Dentre elas está a destinação de uma porcentagem do lucro dos campeonatos a um Caixa Nacional que auxilia o projeto da Seleção Colombiana, entre outros.

Para Felipe, colocar em prática algo que já dá certo em um país vizinho seria um caminho óbvio. “A partir daquela conversa eu já sabia o que deveria fazer. Planejei em conjunto com a Clara Ascêncio a implantação dessa política no Brasil”, conta Felipe. Começava aí a articulação de um grande movimento de união que ainda está em andamento. “Tive o prazer de redigir um documento e iniciar a conversa com diversos presidentes de associações para começar a criar as conexões com a UBC. Estamos salientando essas relações para que dentro de alguns anos tenhamos um caixa anual que possa fazer uma grande diferença para a o esporte em âmbito nacional. Visto que não temos apoio governamental e que há pessoas buscando maximizar os lucros e egoísmos em cima de um esporte que está em crescimento, achei importante iniciar o projeto com um pequeno passo do Campeonato Carioca”, explica Felipe.

O que guarda o futuro
Caso tudo corra como esperado, o movimento que toma forma na direção do esporte esse ano tem potencial para mudar bastante o cenário nacional do cheerleading. Há uma movimentação em diversos estados em torno da nova UBC e, se os apoios se concretizarem, o país terá pela primeira vez um núcleo realmente representativo plural e multipolarizado. “Aguardem novidades de ambos os lados assim como maior transparência no esporte. Nosso objetivo é que todo o processo seja postado nas redes sociais para que todos possam acompanhar. Diversos assuntos já estão sendo tratados em prol do desenvolvimento do esporte no país”, adianta Felipe.

Quanto ao valor do Carioca, Felipe ressalta que não será necessário encarecer o campeonato para tirar o projeto do papel: “Há três anos o campeonato está na mesma faixa de preço de R$80,00 por atleta. Esse ano teremos um reajuste pequeno, mas não é por conta deste projeto. Seria injusto aumentar o valor apenas para contemplar essa ideia, porque trabalhamos sempre para viabilizar a competição de todas as equipes do Rio de Janeiro. Lembrando que 20% do valor das entradas são devolvidas aos times, e ainda teremos as premiações em dinheiro do Grand Champion All-Star e Universitário. Ano passado, tiveram times que conseguiram apenas com o auxílio das entradas pagar mais de 50% do valor da inscrição no campeonato”, ressalta o dirigente, que finaliza com um convite: “Todos que tiverem oportunidade, participem do campeonato Nacional da UBC que estará contando com o auxílio da organização do Carioca”.

 

Nota da redação: Desde ontem, às 18h30, não conseguimos contato com a UBC em tempo hábil para o fechamento dessa matéria. Como essa é a primeira de muitas sobre o assunto (que abrange uma quantidade enorme de projetos possíveis e melhorias para o cenário do nosso esporte), traremos a entidade nacional nos próximos textos.        

 

 

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