O Orgulho de ser livre

Ser considerado “diferente” nos anos 60 era bastante complicado. Naquela época, ser LGBTQI+ era crime na maioria dos EUA, mas as coisas começaram a se modificar no ano de 1969. Muita gente foi presa e agredida nesse esboço de manifestação e as coisas não ficaram magicamente mais fáceis depois disso, mas foi o primeiro passo de uma luta que ainda batalhamos até os dias de hoje.

No dia 28 de junho, a polícia invadiu um bar chamado Stonewall Inn – local muito frequentado por gays, lésbicas, trans e travestis –, em Manhattan, e os ocupantes do bar resistiram aos policiais que queriam prender todos os travestis e transexuais, além de apreender o álcool do local. Em questão de dez minutos após o começo da confusão, já havia uma multidão do lado de fora do bar, composta por clientes expulsos e pessoas que se indignaram vendo a confusão. O autor Edmund White, que estava passando, lembrou: “Todo mundo estava inquieto, irritado e animado. Ninguém tinha um slogan, ninguém tinha atitude, mas algo estava se fabricando” … E ele tinha razão. Nada mais justo do que ter esse dia 28 marcado na história.

Vocês sabiam que o “Dia do Orgulho” é chamado assim pelo falo da palavra orgulho ser um antônimo de vergonha? Por muito tempo carregamos essas tais vergonhas que não nos pertenciam, carregamos uma vontade de nos encaixarmos numa sociedade que ensinou – e ensina, ainda nos dias de hoje – que o simples ato de ser quem nós somos é um desvio de conduta, uma falta de respeito, um pecado.

Ganhamos um dia inteiro para comemorar quem somos, o que conquistamos, pelo o que batalhamos e, principalmente, quem amamos.

Quando a minha ficha caiu de vez, eu achava que havia algo muito errado comigo e que eu ia pro inferno, me perguntava “porque logo eu” e pensava que ia ficar sozinha pra sempre. Com 16 anos, depressiva, ansiosa e com TDA, o simples pensamento de querer beijar outra menina era literalmente o fim do – meu – mundo. Mas minha cabeça cresceu e eu finalmente entendi que eu estava bem, que Deus não me odiava e que se os meus amigos e familiares realmente me amassem, eles iriam me respeitar acima de tudo. (Ah, e eventualmente eu beijei a menina que eu queria.)

Obviamente tiveram pessoas que se afastaram por não concordarem com o meu “novo gosto”, mas vieram coisas muito melhores na sequência. Cheerleading foi uma dessas tais coisas melhores. Não estava na minha melhor época comigo mesma, mas nenhum dos meus problemas batiam de frente com o cheer, eles eram barrados na porta do ginásio. Na época do meu primeiro try out universitário, eu já era assumida para – quase – todos os meus amigos, mas ainda sim levou um tempinho pra eu me soltar, e acho que só o fiz quando percebi que esse esporte é realmente uma família gigantesca. Não importava quem você era ou de onde vinha, todos são bem vindos e necessários.

Foi o ambiente onde eu mais me senti aceita e compreendida em toda a jornada com a minha sexualidade: não existe espaço para preconceito e muito menos pra vergonha. Se você é você, não se esconda, honre isso. Cheer tem um altar gigantesco no meu coração, e não apenas por ter me mostrado como é amar de verdade um esporte ou por me encorajar a enfrentar desafios novos todos os treinos, mas por ter me feito compreender o que era eu me apaixonar por mim, mesmo com todos os defeitos, medos e inseguranças. Me mostrou também que até aquela pessoa que eu não vou com a cara está disposta a lutar por mim/comigo (e é recíproco); me fez entender que eu nunca vou estar sozinha e que um sistema de apoio pode vir do lugar mais inesperado; e deixou claro que aquele espaço era meu se eu quisesse.

Eu quis.

A luta só começou, o mundo não é perfeito e ainda temos um longo caminho, mas hoje é o dia de sermos gratos por tudo conquistado até hoje. Hoje é o dia de eu saber que posso amar quem eu quiser. Hoje é o dia em que eu agradeço muito por ser quem eu sou e por ter o que eu tenho, considerando a sociedade em que eu vivo. E pra você que está lendo esse desabafo de uma estudante de jornalismo com tendências a falar demais… Talvez eu não te conheça, talvez eu nunca vá te conhecer, é possível. Mas onde você estiver, eu te mando amor e muita luz.

Eu sou lésbica. 

Eu sou gay.

Eu sou bissexual.

Eu sou trans.

Eu sou queer.

Eu sou intersexo.

Eu sou assexual.

Eu sou + (e põe mais nisso).

Eu sou eu.

Eu sou você.

Ah, e eu sou Cheerleader também !

Feliz dia do Orgulho LGBT ! Sou orgulhosa de você, sou orgulhosa de nós.

 

Texto e Produção: Daniella Espíndola (C1C RJ)

Revisão: Gabriela Rapp (C1C GO) e Isabella Boddy (C1C PR)

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