Os donos do Partner Stunt na temporada 2019/20

Não foi só o Brasília Xtreme que conquistou um marco histórico na temporada que se encerra no próximo mundial: no Partner Stunt, pela primeira vez, uma dupla conquistou 5 medalhas de ouro na categoria. Kevin Henriques e Beatriz Azevedo, do Royal Cheer Rio, fizeram história e entram para a realeza do partner ao lado de Alê e Leila.

As categorias de Team Cheer são, de longe, as que mais caracterizam o esporte. Os campeonatos colocam as rotinas em equipe – com um grupo de cerca de vinte atletas – no “horário nobre” dos eventos e são elas que definem o desempenho dos ginásios e times universitários.

Mas nem só de Team Cheer vive o cheerleading competitivo. As categorias individuais atraem cada vez mais atletas e, entre elas, uma se destaca como um “mundo a parte” dentro do esporte: o Partner Stunt. A categoria tem sua própria dinâmica e seus próprios destaques, como os lendários Alê e Leila, de São Paulo. E na temporada 2019 a categoria teve donos incontestáveis.

Kevin Henriques e Beatriz Azevedo, ou apenas Kevin e Bia, como a dupla é conhecida, atletas do Royal Cheer Rio, começaram a maratona de títulos no primeiro campeonato da temporada em terras cariocas: o campeonato de individuais do Arkhaios All Star, em outubro. A dupla foi declarada campeã do evento – que aconteceu no mesmo dia do já tradicional showcase do ginásio – dentre três rotinas apresentadas.

“Fomos mudando, adaptando, melhorando. Desde o início do ano pensamos em focar em limpeza, fazer tudo ficar suave, e no Arkhaios foi uma surpresa pra gente, primeiro porque competimos como open e estávamos contra pessoas muito boas, e que fizeram elementos de nível mais alto que os nossos, e também pela rotina ter funcionado. Saber que sua própria rotina deu certo é muito satisfatório”, conta Kevin. “Usamos o campeonato do Arkhaios pra testar nossa rotina e ver como iríamos. A rotina ainda não estava pronta. Já tinha uma ideia na cabeça e já estávamos treinando as skills, mas teve campeonato que mudamos alguma skill antes de apresentar e até na hora da apresentação”, completa Beatriz.

Foi o caso do Carioca, onde a dupla também levou o ouro em uma competição ainda mais acirrada. Com duas medalhas regionais, Bia e Kevin seguiram para os nacionais. Todos eles. O número de disputas, segundo eles, não foi calculado com antecedência. “Não pensamos muito em quais competições iríamos. Foi acontecendo. Pensamos em ir na competição do Arkhaios pra tentar tirar um pouco do nervosismo e aliviar um pouco nas outras competições. Nas outras fomos junto com o time e competimos em todas as possíveis”, explica Bia.

Ansiedade e conquista
O caminho nacional até a marca histórica dos 5 títulos começou no Nacional da UBC. O ouro trazido de São Paulo começou a desenhar o possível recorde. Junto com a expectativa, cresceu a torcida e, com ela, a pressão. “Sentimos muita pressão, principalmente no Cheerfest e Brasileiro. A essa altura, nós já sabíamos que tínhamos uma ótima rotina em mãos e que tinha essa responsabilidade de apresentar bem, pela gente, e por quem torceu pela gente”, lembra Bia. E foi com pressão mesmo que a dupla conquistou o ouro no Cheerfest, em Uberlândia.

O Brasileiro era a prova final. O momento decisivo para os dois atletas. A disputa não era pequena e o nervosismo também não. “Sabíamos que se ganhassemos o Brasileiro seria algo que ninguém tinha feito até então. Fiquei bem nervoso, e acho que me pressionei mais do que o próprio campeonato”, conta Kevin.

Quando Kevin e Bia foram anunciados campeões, todo o esforço e nervosismo valeu a pena. A dupla havia chegado à marca das cinco medalhas no Partner Stunt em uma única temporada, algo até então inédito no Brasil. “É surreal pensar dessa forma. Saber que fiz algo que até então não tinham feito aqui no Brasil me deixa muito orgulhoso da gente! Isso faz pensar em tudo o que passamos desde que começamos a treinar, as dificuldades e superações, e saber que não desistimos. Agora é continuar treinando, aumentar o nível e as metas”, comemora Kevin.

A crítica dos campeões
Em meio as comemorações, Kevin e Bia lamentam a pouca atenção que ginásios em geral dão aos individuais. Segundo Kevin, a questão é ampla e vai até mesmo além das categorias em si. “Acho que hoje em dia muita gente dentro do cheer pensa mais em aparecer ou em si mesmo do que em fazer tudo certo e com técnica certa e pensando como um time. Na minha visão os ginásios veem individuais como algo extra, como algo opcional, ou até algo que chega a atrapalhar a rotina ou o time, e não percebem que é um mundo diferente das rotinas”, destaca.

Segundo ele, os coaches trabalham nas rotinas de team cheer, mas nos individuais falta acompanhamento. “Quem vai competir acaba tendo que ser seu próprio coach e ver que é difícil montar uma rotina, juntar os elementos, saber os níveis e que nós somos responsáveis por nós mesmos. A rotina de partner é extremamente cansativa e chega a ser facilmente mais cansativa que uma rotina de equipe, e com tudo isso temos que dar o máximo naquele um minuto de apresentação que todos estão nos assistindo e a ninguém mais”, lembra.

Apesar dos pesares, a dupla segue comemorando o feito, principalmente por ter sido conquistado com mudanças de última hora, algo que eles atribuem à sintonia dos atletas. “No partner isso é essencial. Nas rotinas normais é tudo dentro da música, na contagem você sabe onde vai estar na hora que tem que estar. No partner não: temos a música mas não as referências dos movimentos e, se algo sai errado, temos que nos entender pra continuar, saber o que fazer e sentir na hora se precisamos mudar algo ou não. Aconteceu nessa temporada de mudar movimento na hora, de ter que adaptar algo na apresentação, e ganhar medalha de ouro com isso. Tudo isso me deixa extremamente feliz e satisfeito com as nossas escolhas, não tenho como explicar o que sinto. Tudo isso vem com treino, muito treino, tentativa e erro, e mais tentativa e erro. Eu, particularmente, tento sempre me aprimorar na técnica antes de subir de nível, tento sempre deixar mais limpo, e isso não exige só técnica, assim como não exige só força, é um equilíbrio”, finaliza Kevin.

 

Texto: Rodrigo Mariano (C1C Rio)
Revisão: Isabella Boddy (C1C PR)
Arte: Ana Júlia Pickler (C1C PR), 
Gabriela Goulart (C1C Rio) e
Paulo Bento Sena (C1C DF). 

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