Precisamos proteger nossos coaches, e donos de ginásio e, principalmente, manter nossos atletas seguros

Primeiramente eu gostaria de dizer que entendo a difícil situação vivida pelos coaches e donos de ginásios pois eu mesma sou coach e tive meu trabalho e salário drasticamente afetados pela pandemia.

Para aqueles que ainda não tem outra fonte de renda a situação se torna ainda pior. Sou privilegiada pois apesar de ter meu salário praticamente reduzido à zero tenho minha mãe para me bancar, o que não é a realidade de todos. Imagino também o quão difícil é ter chances de quebrar e ter que fechar o ginásio que todos dedicaram tanto dinheiro tempo e carinho para abrir e manter.

Entendo também que existe outra discussão na mesa, a discussão sobre atividade física ser um serviço essencial ou não. Eu acredito SIM que atividade física é essencial à saúde. A população brasileira é em geral uma população muito sedentária e que costuma a colocar todos os tipos de empecilhos para sair do sedentarismo.

Para mim o X da questão é que a pandemia está sendo utilizada para superdimensionar esse problema. Não é o fato de as academias terem sido obrigadas a fechar que tornou a população sedentária. A população sempre foi sedentária e ainda não temos estratégias eficazes para mudar isso. E sim, infelizmente a pandemia acentua isso, mas a população não se tornou sedentária por causa da pandemia!

Agora abordando o cheer especificamente, sei que o esporte tem como característica uma grande variedade de exercícios e uma socialização enorme, que é o que, provavelmente, o torna tão popular entre seus praticantes. O fato de estarmos restritos a realizarmos exercícios isolados em casa com certeza é um fator desmotivador para muitos atletas. Juntando o desânimo dos atletas com a necessidade dos coaches e donos de ginásio e a gradual reabertura das cidades podemos observar um movimento de reabertura dos ginásios.

O que eu acho sobre isso?
Eu, como dirigente, não me sinto confortável em realizar nenhum tipo de atividade que possa colocar em risco, mesmo que minimamente, a vida de outro ser humano. Acredito ser completamente inviável a realização de qualquer tipo de campeonato ou evento que cause minimamente uma aglomeração. Sobre treinos de tumbling em ginásios (com uso de máscara, aferição de temperatura, higienização etc), eu também evitaria se possível pois coloca em risco todas as pessoas que tenho que proteger (coaches e atletas).

Sei que para muitos donos de ginásio e coaches a situação está difícil e praticamente insustentável. Para mim esse assunto é um dilema moral muito grande entre: salvar o seu negócio/fonte de renda (pensamento individualista não no sentido pejorativo da palavra) X pensar na saúde dos seus atletas e familiares (pensamento coletivo).

Ainda temos um agravante no nosso país que é: a dificuldade de se manter em quarentena, quando vemos, diariamente, pessoas furando a quarentena e desrespeitando as regras de isolamento social. Isso afeta diretamente nossa resiliência e causa um desgaste enorme nas pessoas. Nos sentimos fazendo papel de palhaço em casa enquanto os outros estão na rua e isso vai minando a nossa motivação de nos manter seguros e acabamos por normalizar as mortes e até considerar nos arriscarmos e arriscarmos nossas famílias.

Enfim, como dirigente, meu dever é pensar no bem do esporte e, principalmente, pensar no bem de cada personagem do esporte (coaches, donos de ginásios e atletas). Precisamos proteger nossos coaches e donos de ginásio, e manter nossos atletas seguros.

Mas como?
Estamos vivendo uma situação onde não existe solução ideal, e não tem como agradar todo mundo. Não acredito que ninguém está na posição de julgar ninguém. Certamente vejo que os coaches e donos de ginásio se encontram MUITO desamparados nessa pandemia, que evidenciou como esses profissionais ainda são pouco valorizados.

Talvez seja preciso que mostremos para os atletas da modalidade que eles têm um protagonismo muito relevante no esporte e que sua participação é extremamente importante na manutenção do cheerleading no país. Não adianta falar que o esporte é pouco desenvolvido no país e não valorizar todo o esforço, tempo, estudo e dinheiro que os treinadores e donos de ginásios investem no esporte.

Devemos mostrar para os atletas que é importante que eles se mantenham engajados e que tentem ter empatia com seus times e coaches. Sei que muitos atletas estão pagando treino online, mas muitos simplesmente não querem pagar os treinadores para realizarem os treinos por motivos individuais e não consideram o coletivo.

Talvez os 20 reais mensais que ele poderia estar pagando, por exemplo, poderia prevenir que seu ginásio quebre. Isso vai da consciência e condição financeira vivida por cada um na pandemia e, obviamente, não estou aqui querendo dizer que todos devem e têm condições de pagar, mas que, talvez, se grande parte dos atletas se disponibilizassem a pagar por treinos online, mesmo que há um valor reduzido, os coaches e donos de ginásio não seriam obrigados a recorrer à medidas como abrir os ginásios.

Instagram did not return a 200.