Quarentena e a dinâmica de treinos: como os ginásios estão enfrentando a pandemia

Dentre os acontecimentos de 2020, o coronavírus tem tido impacto direto na forma em que se vive, se relaciona e consome. De que forma o cheerleading é afetado por essas mudanças? Todos se adaptaram bem? Qual o objetivo do esporte neste período?

O novo Coronavírus (COVID-19) trouxe diversas mudanças na vida social a nível mundial. Uso de máscaras, distanciamento social e isolamento foram algumas das coisas que marcaram esse período tão inesperado neste ano. Decretos com o objetivo de diminuir o número de pessoas nas ruas entraram em vigor desde o final de março e afetaram a dinâmica dos ginásios, universidades públicas e privadas que possuem seus times e todo um cronograma projetado para 2020.

O impacto da pandemia trouxe preocupações quanto a saúde mental das pessoas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 300 milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem de depressão (OPAS/OMS, 2018). O esporte regular é uma das várias ferramentas de combate à depressão e a outras doenças de viés psicológico. “O exercício regular pode ter um impacto profundamente positivo na depressão, na ansiedade, no Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH, dentre outros. Também alivia o estresse, melhora a memória e o estado de humor e ajuda a dormir melhor. ” Hospital Santa Mônica (2017).

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disponibilizou em seu site guia de cuidados para saúde mental durante a pandemia, que não só se aplicam às pessoas que têm depressão, mas a toda população.

 

A quarentena tem durado mais do que o esperado e, com isso, o objetivo dos treinos online mudou: o que a princípio era apenas um meio para que os atletas não saíssem de forma se tornou importante no viés psicológico. A coach do ginásio Lótus Phoenix All Star, Sthefania “Fany” Ferreira, conta quais têm sido os objetivos de manter os treinos em seu ginásio: “Manter esse vínculo não é somente uma forma de fidelizar o atleta por ele saber que eu como coach me preocupo com ele, mas também um meio de unir toda nossa equipe para minimizar o prejuízo psicológico do afastamento social”.

 

Treinos Online 

O engajamento aos treinos online não tem sido fácil. Aqueles que conseguiram manter-se cursando faculdades via EAD e também pessoas que trabalham de casa têm sentido uma carga maior de trabalhos a serem entregues, além disso, existem as pessoas que sofrem de algum transtorno mental como a depressão e a ansiedade. No fim do dia, as adversidades trazem o desânimo que não deixa o corpo ter energia para sair da cama. Tiago Bento, coach do Spirit of Titans, contou que tem deixado aberta a participação dos atletas, ou seja, não cobrando presença, “(…) é um cenário bem atípico que estamos passando, e pra muita gente é gatilho o cheer, então meio que deixamos aberto à participação, mas mesmo assim atingimos um número satisfatório de participação.” Saber que existem amigos, times, ginásios unidos mesmo que longe traz um certo alívio em meio a isso tudo, e aquela pontinha de esperança volta a queimar, tudo isso vai passar. 

Muitos coaches no Brasil e no exterior aderiram aos treinos via plataformas online onde se pode fazer chamadas de vídeo, montando treinos para que os atletas fizessem em casa, através de lives no Instagram, visando manter o bem-estar e a qualidade de vida dos atletas. “(...) a galera realmente tá fazendo e comprou a ideia e continuou treinando normalmente, então esse tem sido o nosso esquema: durante a semana eles mandam foto e um vídeo curtinho e aos sábados a gente faz uma video chamada por Zoom e daí eu e o Cauã, que é o outro capitão do time, passa o treino, a gente que conduz o treino e o pessoal vai fazendo. ” – Carina Moreira, co-capitã da Xtremers PUC PR.

 

Atingindo um novo público

O ginásio Galaxy All Stars tem desenvolvido um projeto no qual atletas ou não atletas têm tido a oportunidade de conviver um pouco com a rotina de treinos do ginásio. Jonas Dias, head coach e proprietário do Galaxy All Stars, conta sobre: “O objetivo desse projeto foi com que a gente trouxesse mais pessoas pra atividade física durante a quarentena, treinando em casa e tudo mais. A gente sabe que por N motivos as pessoas estão desmotivadas, então, pensando nisso, a gente pensou em fazer esse tipo de trabalho.” 

Alguns dos objetivos traçados são compartilhar o trabalho do ginásio com as pessoas que ainda não conhecem o cheerleading, além de promover a interação e acolhimento dessas pessoas com os já integrantes do ginásio. “(…)saber como que a gente faz, o pessoal de fora que não era do ginásio e tudo mais poder treinar com a gente, poder ter essa interação com os atletas do Galaxy principalmente, e é isso. A gente espera que as pessoas tenham resultados bons, que pelo menos naquele horário que ela tá treinando ela se sinta mais acolhida, interagindo com outras pessoas, querendo ou não aí uma situação social. Virtualmente, mas social. Esse então é um dos principais benefícios aí que esperamos ter.” 

Ainda existem pessoas que não estão conseguindo acompanhar os treinos e esse é o principal desafio até o momento. Jonas Dias e o Galaxy estão empenhados em trazer inovações para motivar essas pessoas “(…) estamos confiantes, sempre querendo inovar e esse mês a gente tá com um cronograma muito legal. Mês que vem a gente vai fazer mais. A gente tá lançando treinos também com outros ginásios… Então assim, estamos tentando fazer de tudo para que os atletas sintam-se acolhidos, pensam ‘poxa, estão pensando na gente. Vamos treinar com eles, vamos sentir motivados para treinar’. ”

 

Flexibilização da quarentena?

Com a liberação eminente do funcionamento de diversos setores, sabe-se que é inevitável que os ginásios retornem às suas atividades. É importante rever a importância do distanciamento social e da quarentena até o momento e o impacto direto no número de contaminados e mortos por essa pandemia. Assim como em um time de cheerleading são necessárias várias pessoas, cada uma em sua posição fazendo sua parte para fazer a rotina acontecer, é necessário fazer a nossa parte para passarmos por esse momento. Separados, mas juntos.

 

 

Texto: Lilian Fontes (C1C RJ)

Produção: Fernando Maia (C1C MG), Gabriela Rapp (C1C GO)

Revisão: Isabella Boddy (C1C PR), Gabriela Rapp (C1C GO), Beatriz Melo (C1C RJ)

Arte da capa: Willian Almeida Rodrigues (C1C DF)

Instagram did not return a 200.