Setembro Amarelo I Cheer como gatilho ou ajuda: é preciso ATENÇÃO sempre

O mês de setembro está terminando e, ao longo dele, passamos por reflexões acerca das doenças psicológicas que tanto têm afetado nossa sociedade nos últimos anos, especialmente o público alvo do cheerleading brasileiro: adolescentes e jovens de 15 a 29 anos. Isso nos faz pensar se existe uma relação e qual seria ela. Propuz então uma pesquisa que, aliás, foi a responsável por só conseguirmos lançar esse artigo no final do mês. Mas valeu a pena. Rodamos o formulários pelos grupos de whatsapp e buscamos sinais da relação dessas doenças com o público do cheer. A pergunta era essa: o cheerleading funcionou para você como um “tratamento” para ansiedade, depressão e afins?

Para mim o resultado dessa pesquisa foi surpreendente, pois a grande maioria das pessoas que responderam (em média 87%) se não foi diagnosticado, se identifica com sinais de alguns dos transtornos psicológicos mencionados. Entretanto a maior surpresa foi saber que o cheerleading funciona tão bem para uns e como um gatilho para outros. Então se você achou que esse artigo seria uma “rasgação de seda” sobre o nosso esporte, é aqui que desminto isso. O que encontramos foram duas vertentes que embora possam ser vistas como opostas, podem ao mesmo tempo ser vivenciadas, talvez juntas, por muitos atletas.

“Fiquei feliz… Porque eu nunca havia praticado esporte (já havia tentado.. Mas não era bom em nada… E normalmente não era aceito para tentar participar das atividades…)
Isso era um empecilho.. Pois na época eu tinha depressão (ainda tenho..) Porém ser aceito em algo me ajudou e tem ajudado muito.. As pessoas do cheer desde que eu conheci sempre apoiaram sem julgar e me dão tempo e paciência para me desenvolver…”
( Barbaro | Elite S0ldiers- Olympus cheer- Space Fire)

Como um esporte novo no Brasil, o cheerleading tem uma característica que conquista muitos adeptos: todos são aceitos. Por mais que haja seletivas em muitos times, essa aceitação e desenvolvimento de pessoas que nunca tiveram contato com o desporto é o que faz muitos “se encontrarem” no tatame. Tem lugar para quem é leve, para quem é mais pesado, para quem é flexível, e para quem não é, mas principalmente, lugar para desenvolver habilidades. Além disso, fazer parte de um time significa trabalhar em equipe, conhecer pessoas novas e juntos solucionarem problemas em prol de um objetivo. Todos esses aspectos fazem do esporte, em geral, um aliado à saúde física e mental.

“(…)Hoje, 2 anos depois, minha depressão voltou brutal sem motivo aparente, continuo querendo largar o curso; o cheer universitário não está ajudando mais tanto quanto antes(..)”

O cheerleading pode ser a válvula de escape para uns. Por outro lado, para outros funciona como mais um estresse. Se estar em um time significa tudo que já citei, cabe ressaltar também a sua obrigatoriedade nas competições. São poucos os ginásios/equipes que treinam atletas durante a temporada sem ter o objetivo que o mesmo represente nas disputas.

É nessa época que começamos a sentir toda a pressão de ser um atleta. A paciência para os erros diminui, o tempo para aprender já não tem mais. As trocas inesperadas de posições acontecem. Julgamentos por parte do time. O foco é acertar ou acertar, e lidar com isso não é fácil. Toda essa imposição e mudanças de sentimentos que o esporte causa pode se tornar um gatilho para o desenvolvimento de um transtorno psicológico que, em grande parte, é sentenciado de maneira inadequada pelos colegas/coach da equipe, causando uma piora.

Além dos benefícios físicos, a prática de esportes inserida em processos de tratamento a transtornos psicológicos e cuidados com a saúde mental em geral proporciona o fortalecimento de aspectos ligados ao bem estar do indivíduo. Isto acontece tanto pelos hormônios liberados durante o exercício – dentre eles a endorfina, que está diretamente ligada a sensação de bem estar – quanto em relação às possibilidades de interação social em casos da prática de esportes ou atividades que possibilitem o contato com um ambiente amistoso e agradável. Como é o caso da modalidade esportiva Cheerleading, que além do processo físico de treinos e apresentações pode contribuir por meio da relação interpessoal estabelecida entre os atletas, oferecendo condições de interação e trabalho em equipe.
Psicóloga Denise Angelita Perez
CRP 08/24224

Ficou pesado né?! Pois é. A intenção primária deste artigo era mostrar para quem sofre com essas doenças que há saídas, e o cheer pode ser uma delas.

Porém, se encontramos duas vertentes, precisamos de duas conclusões. Talvez falte no cheer um olhar mais sensível de todos os nossos atletas. O cheerleading é um esporte, e como qualquer outro, precisamos de disciplina para exercê-lo, mas não necessariamente ela precisa vir acompanhada de uma carga emocional opressiva. Treine! Treine incansavelmente. Evolua! Sempre no seu tempo. Mas, acima de tudo, divirta-se! A sua regra deve estar acima de todas, e essa determina que VOCÊ deve estar bem.

No ano passado, durante o setembro amarelo, lembramos Isadora. Esse ano também, mas em 2018 tivemos a honra que publicar um lindo relato de Julia Lemos. Clique aqui para ler. Vale a pena reler essa história e lembre-se: você não está sozinho.

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