Você faz a sua parte para que o cheer seja mesmo um esporte?

MARCIO TAVARES ARTICULISTA CONVIDADO

Na última semana o caso da atlética da Universidade Federal do Paraná e do Mustacheer sacudiram o mundo do cheerleading nacional. Centenas de times e programas do país inteiro apoiaram os cheerleaders que tinham que pagar uma taxa diferentes dos demais atletas porque, para a atlética, o cheer não era esporte.

Não foi a primeira vez que escutamos histórias de atléticas que desconsideram o cheer como esporte. Elas existem e, infelizmente, ainda veremos isso acontecer de tempos em tempos, até que as decisões do Comitê Olímpico Internacional e outras entidades que já esclareceram a questão se tornem conhecimento público.

Que essas atléticas estão erradas, todos nós concordamos. Acontece que o debate sobre o cheerleading ser ou não um esporte passa também por pontos que não costumam ser levantados, talvez por medo de confusões ou cordialidade. Quem paga por isso é o esporte como um todo e nós, os atletas e coaches que dedicamos tanto das nossas vidas a ele. A questão é: você tem feito a sua parte para que o cheerleading se firme como um esporte respeitado? Você, cheerleader, se considera de fato e age como um atleta?

Com a experiência que eu acumulei ao longo dos anos no cheerleading, inclusive em times no Canadá, Austrália e Inglaterra; tendo estado no cheerleading brasileiro desde o seu primeiro passo, lá atrás, em 2009 e com certificação USASF como coach, posso afirmar com alguma segurança que em muitos times universitários o que se faz não é cheerleading e isso só ajuda a piorar a imagem do esporte como tal e a nossa imagem como atletas.

Em 2018 não é mais possível chamar de cheerleading a animação de sideline de jogos de outros esportes sem nenhuma preparação real. Pompons, coreografias e algumas poucas piruetas não são mais suficientes para caracterizar uma equipe esportiva de cheer. Nomes de times impróprios ajudam a reforçar essa imagem que nós definitivamente não queremos para o cheerleading. Uma imagem que, enquanto persistir, alimentará pessoas que repetem que o cheer não é esporte.

Então, é importante que o episódio com a atlética no Paraná sirva não só para que a gente olhe para fora, mas para que olhemos para nós mesmos também. Se queremos que o cheer se fortaleça como esporte no Brasil, temos que observar nossas posturas e nossas escolhas e assumir uma postura mais profissional. Precisamos nos colocar contra atitudes pouco esportivas, encarar o cheer como esporte de fato, aceitar que não basta poucos anos de cheer ou algum conhecimento das técnicas para se autodenominar coach e que além de perigoso, isso puxa para baixo a qualidade do cheer nacional como um todo.

Sei que esse artigo pode chatear algumas pessoas. Mas sei também que quem realmente ama o cheerleading como eu, que por escolha dediquei minha vida profissional inteira a ele, vai receber isso com alguma familiaridade. É hora de ajudar o esporte a se consolidar mas, para isso, precisamos dar o exemplo.

*Márcio Tavares é
ex-coach do Rio All Stars e head-coach do Royal Cheer Rio

1 thought on “Você faz a sua parte para que o cheer seja mesmo um esporte?

  1. Marcio, primeiramente parabens pelo artigo, nós precisavamos que alguem falasse a respeito disso fora das redes sociais.
    Apesar de concordar em grande parte do que você abordou, tenho minha duvidas sobre algumas posições.
    O cheerleading tambem vai alem de grandes e tumblings e stunts, minha equipe é animadora de jogos de Futebol americano, somos bailarinos e pompondancers, e nem por isso deixamos de treinar e realizar stunts, tumblings e etc.
    Existem categorias dentro do cheerleading para isso, podem não ser as mais concorridas, mas estão lá. E não podemos esquecer da essência do esporte, que começou sim, como Animação na sideline dos Campos.
    Cheerleading é um esporte sim, que mistura dança, acrobacia e ginástica.
    Então o movimento cheer tem que se fortificar, não é so dentro das universidades brasileiras que o cheerleading existe, tem equipes independentes e equipes de sideline que tambem estão fazendo a sua parte.
    O que TODOS devem fazer, é abrir isso pro país, a 2 anos atras eu nem sabia que era possivel ser cheerleader no Brasil, o que podemos e devemos fazer é propagar a existencia desse esporte, levar pras escolas, pra televisão, pros parques, praias, exibir mesmo.
    Pelo menos aqui no Ceará isso é uma realidade distante, mas minha equipe está fazendo a nossa parte.

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