Forte pressão popular e diálogos para um acordo entre Lara e Felipe marcam a semana

Depois de uma pesada recepção de suas últimas ações por parte de atletas de todo o Brasil e o recuo em relação à eleição (clique aqui para entender), o grupo liderado por Lara Magalhães, presidente da Confederação Brasileira de Cheerleading e Dança e nomeada CEO da UBC por Rodrigo Gonçalves, fez um movimento na direção de um possível acordo com o grupo representado por Felipe Leal.

A bandeira branca foi levantada por Lara, que aposta na união para apaziguar o esporte. Lara explica que “um acordo fortalece a modalidade, solidifica o que foi feito de melhor de ambas partes, traz paz para darmos sequência e credibilidade! Felipe contribuiu e muito para o crescimento da modalidade no país! Podemos não concordar em todos os tópicos, porém o que tenho absoluta certeza é a nossa paixão mútua pelo Cheerleading”.

Lara lembra, ainda, que os atritos e dificuldades em momentos de mudança são normais e precisam ser vencidos. “O momento que vivemos agora é de união, não de briga! Para que o esporte continue crescendo, é necessário passarmos por várias adequações e atualizações. Quantas modalidades não passaram por momentos similares aos que estão acontecendo agora no Cheerleading? Sabe qual é a diferença? No nosso esporte, aconteceu muito mais rápido do que a grande maioria”, aponta a presidente da Confederação Brasileira de Cheerleading e Dança. 

Felipe Leal, presidente em exercício da UBC, confirma a costura de um acordo entre os grupos e aguarda a apresentação de uma proposta formal por parte do advogado que representa a gestão Rodrigo Gonçalves/Lara Magalhães da UBC. “Estou aberto a analisar todas as alternativas para trazer o melhor para a comunidade esportiva. O acordo não foi apresentado por parte do advogado da Lara por enquanto, porém, deve estar sendo redigido”, conta Felipe.

E o voto?
O perfil @ubc_brasil publicou na noite de ontem uma convocação chamando atletas das modalidades Cheerleading Atlético Coed, Cheerleading Atlético All Girl, Freestyle Pom e Hip Hop que se interessem por representar as modalidades junto à UBC. 

“Felipe contribuiu e muito para o crescimento da modalidade no país! Podemos não concordar em todos os tópicos, porém o que tenho absoluta certeza é a nossa paixão mútua pelo Cheerleading” – Lara Magalhães

A publicação causou confusão e houve quem pensasse que se tratava da assembleia para eleição da presidência. Não é o caso: a convocação é parte do processo para o cumprimento do 18º artigo da Lei Pelé, que define os requisitos necessários para que entidades sem fins lucrativos possam receber recursos da administração pública federal direta ou indiretamente. Entre as muitas obrigações descritas na lei, há a existência de uma comissão de atletas. Clique aqui para acessar a lei.

Mais de uma vez em declarações, Lara defendeu a importância do financiamento público para iniciativas como o Team Brazil. O movimento para a adequação necessária para a requisição de recursos pode apontar para algum trabalho já em andamento nesse sentido. Sobre o assunto, Lara destaca apenas que “o Dr. Bruno Coaracy – especialista em Direito Esportivo – tem feito um trabalho fantástico com a nova gestão, deixando toda a parte jurídica atualizada conforme a Lei prevê. A expertise dele tem colaborado muito para o nosso crescimento”, comemora Lara. No que diz respeito à associação dos atletas, nada foi publicado ainda. 

Segundo Felipe, um de seus objetivos é justamente atender as reivindicações recentes da comunidade de atletas. “Estou sempre aberto e disposto a atender a reivindicação da comunidade, assim como pude trazer na minha gestão diversos voluntários para trabalhar na UBC com o intuito de tornar a entidade um órgão mais amplo e democrático. Um exemplo que todos lembram foi a seletiva de treinadores da seleção, um grande marco para o esporte encabeçado por mim durante a gestão da Clara”, lembrou Leal.

Pressão popular
Na última quarta-feira, um movimento de atletas colocou no ar um pedido de ajuda à International Cheer Union, autoridade do esporte no mundo. Cerca de 150 publicações trouxeram fotos relacionadas ao esporte, algumas buscando passar ideias de autoridade e tempo de esporte, e o mesmo texto reproduzido abaixo.

“A história da política e da gestão do Cheerleading Brasileiro nunca foi transparente e nem democrática. Nosso órgão máximo, a UBC, que deveria prezar pelo desenvolvimento do esporte no país, nunca garantiu nossos direitos, nem manteve um diálogo com a comunidade esportiva. Nunca elegemos nossos representantes e quase sempre não tivemos o devido respeito em competições e projetos realizados pela instituição. É inadmissível que o fundador e presidente da UBC simplesmente suma por anos, e depois de renunciar, reapareça para redistribuir cargos. Isso não nos representa. Estamos cansados de não ter voz, queremos uma UBC e eleições diretas pra já, com a participação da comunidade esportiva de acordo com a Lei 9.615/98. Por isso convidamos atletas, coachs e ginásios para um movimento de apoio e união da nossa comunidade esportiva que reivindique um processo democrático a partir do dia 12/01/21. 

A ideia é a partir das 12hrs de amanhã, postar uma foto sua (feed ou story) de cheerleading com as #ELEIÇÕESDIRETASCHEERBRA e #ICUHELPBRAZIL, marcando principalmente as páginas:

@cheeronechannel
@ubc.cheerleadingbrasil
@ubc_brasil
@karlolson1 (secretário geral da ICU)
@intcheerunion – nosso órgão máximo de cheerleading no Mundo, a ICU. 

Participe da nossa campanha pela democracia! Vamos nos unir para garantir o futuro e o desenvolvimento de nosso esporte no Brasil! Todos juntos para conquistar nossos direitos! Diretas Já na UBC!

Movimento da Comunidade de Cheerleading do Brasil”

“Estou sempre aberto e disposto a atender a reivindicação da comunidade, assim como pude trazer na minha gestão diversos voluntários para trabalhar na UBC com o intuito de tornar a entidade um órgão mais amplo e democrático”. – Felipe Leal

“O objetivo do movimento é garantir um processo eletivo democrático, transparente e legítimo para a UBC, dando voz direta à comunidade do Cheer na escolha de um programa e de uma direção para a entidade que representa nosso esporte no Brasil. Precisamos abrir um canal de diálogo para pensar e garantir o processo eleitoral. E é muito importante que as eleições aconteçam o quanto antes, de forma transparente, para que a próxima direção represente os interesses coletivos, decididos por todos aqueles que fazem o Cheer acontecer no Brasil”, defende Lucas Cauê Castro Silva, atleta do Royal Cheer Rio e um dos coordenadores do movimento. 

Segundo ele, a ICU já sabe dos problemas que estão acontecendo no Brasil. “Muita gente nos questionou sobre o motivo de envolver a ICU no nosso movimento, se seria algo que poderia soar negativo junto à comunidade internacional, se a gente teve contato direto com a instituição e/ou se estamos satisfeitos com esse resultado em relação a mesma. O que muita gente não sabe é que o caso que estamos vivendo não se limita apenas ao Brasil. A Itália mesmo é um exemplo, onde quatro instituições brigam para legitimar o seu poder e ter apoio do Órgão. Apesar da ICU já ter tido contato com as UBCs, e para muita gente a resposta ter soado com um: ‘Se virem aí e me digam o que decidiram’, a ICU pode fazer sim algo por nós. Ela é filiada ao comitê olímpico internacional, ao qual o Brasil é submetido. E nós sabemos que há todo o interesse de que os países se organizem, dentro das normas e da legislação vigente, para fortalecer o esporte em cada país. A verdade é que eles já sabem da situação e acreditam ser possível uma conciliação interna, para então, caso isso não aconteça, possam tomar um posicionamento. Caso a ICU entre em contato, não será diretamente com o movimento, mas sim com as UBCs, visto que o movimento não carrega apenas um rosto e sim uma comunidade”, explica Lucas.

 


Histórias do passado

Outro movimento que vem acontecendo nos grupos relacionados ao esporte é o de atletas que trabalharam com Lara no passado ou conviviam com ela alguns anos atrás. As atletas mineiras publicaram relatos sobre o seu cotidiano como cheerleaders do Cruzeiro Futebol Clube, onde eram dirigidas por Lara no BH Eagles Cheerleaders.

“Acho que agora estamos tentando consertar o erro trazendo esses relatos” – Juliana Lima

Segundo os documentos e áudios disponibilizados em grupos de whatsapp e movimentos independentes de atletas, posteriormente encaminhados para a nossa produção, as atletas teriam participado de eventos políticos como sessões de fotos, passeatas, panfletagens, festas e comícios, e se sentiram lesadas por diversos motivos. Lara também teria normalizado o assédio com as atletas, como se fosse parte do trabalho com o cheerleading. “Há mais coisas que aconteceram ao longo dos anos, mas era inútil falar sem provas. À medida que víamos ela crescendo, pensávamos se deveríamos ou não contar as coisas e acho que ela chegou onde chegou porque Belo Horizonte e Minas Gerais não expôs o que aconteceu no passado. “Acho que agora estamos tentando consertar o erro trazendo esses relatos”, declara Juliana Lima, ex-capitã do América Locomotiva – na época, Minas Locomotiva – e atual atleta do Royal Cheer Rio. Ela é parte do coletivo que tem como objetivo eleições diretas na UBC e que atletas de todo o Brasil conheçam melhor “o histórico de quem quer nos representar”.  

Um dos casos levantados pelo grupo de atletas – no qual alguns preferem não ter seus nomes revelados – é o de Viviane Ribeiro, mãe de uma ex-atleta de Lara. “Em 2018, minha filha estava se preparando para o Campeonato Brasileiro de Cheerleaders no Rio de Janeiro com a equipe da Lara Magalhães. Como todas as viagens têm suas despesas, a princípio havia me cobrado um valor ‘x’, onde já estaria tudo fechado com hotel e transporte. Porém quando se aproximou da viagem ela me cobrou um valor abusivo e totalmente fora do que foi combinado a princípio. Eu, sem condições de bancar esse valor, continuei insistindo no valor que foi combinado, porém para ela foi indiferente, causando danos psicológicos a minha filha que ficou meses treinando para o campeonato e no final ficou sem poder competir enquanto ela foi para o campeonato deixando minha filha para trás. Minha filha ficou extremamente triste e queria desistir do Cheer, que por muita sorte ela conheceu a equipe do Panthers, que acolheu ela”, conta Viviane.      

Lara vê com naturalidade os movimentos e as críticas envolvendo seu nome. “Quando estamos à frente de equipes, estamos expostos à opinião das pessoas em relação às nossas atitudes. Cada um possui uma vivência diferente e constrói uma verdade baseada na sua vivência pessoal. O que sempre tentei fazer foi lutar para que o esporte que participo há metade da minha vida tivesse voz onde era necessário! Agradeço aos mais de 300 participantes que fizeram parte das minhas equipes e todo o carinho que até hoje têm por mim”, declarou Lara.

Texto:Rodrigo Mariano

Revisores: Gabriela Rapp (C1C GO) e Isabella Boddy (C1C PR)