JUCS estabelece novo patamar para seu campeonato de cheer

O retorno do campeonato de cheerleading aos jogos era consenso entre as atléticas e já era esperado. A grande conquista veio pela inclusão do campeonato de cheerleading na pontuação geral do campeonato, garantida por apenas um ponto de diferença.

As equipes apresentaram rotinas nível 2.1 e, mais uma vez, colocaram em disputa alguns nomes bastante conhecidos do cenário do esporte no Brasil, como Álvaro Xavier (Arkhaios), Adriano Branco (RCR), Davi França (RCR) e Júlia Lemos (Marvel), entre outros.

Em uma dobradinha, Davi França, que na noite anterior havia conquistado o ouro com a PUC Engenharia no Intereng, levou o ouro no JUCS com outra equipe da PUC: a Golden Squad. A equipe havia levado a prata na última edição do campeonato em 2017 e, segundo Dilan Kayne, coordenador da equipe, entrou no tatame esse ano para mostrar algo que desse orgulho aos atletas. “Colocação é consequência de quem foi melhor no dia. Nos dedicamos para que a rotina fosse divertida de ver e fazer e para que todos saíssem com a sensação de deve cumprido”, conta o atleta.

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O ouro da PUC veio após apenas 3 meses de treino com a formação atual da equipe, mas contou com a experiência da outra metade. “Apesar de termos uma equipe sólida, que competiu o Campeonato Brasileiro do ano passado, metade da equipe saiu por diversos motivos. Além disso, as nossas aulas foram as últimas a começar, então tivemos que correr muito com os tryouts pra conseguir substitutos a tempo e estruturar essa nova equipe para competir o JUCS 3 meses depois”, conta Dilan.       

A segunda colocação ficou com a UFF Cheerwolves, com uma rotina competente e competitiva de Mauricio Van Der Linden. Assim como a PUC, a equipe também participa da temporada profissional no final do ano e é possível que voltem aos tatames para mais disputas esse ano. O bronze ficou com a UERJ Warriors e a colocação seguiu com ESPM, UVA, UFRJ e UNICARIOCA.


O peso do geral

A temporada universitária desse ano está sendo marcada pela entrada dos resultados dos campeonatos de cheerleading na pontuação geral dos jogos. Segundo Dilan, a pressão é grande, mas o reconhecimento é maior. “A nossa atlética é a que possui mais títulos da história do JUCS e é a primeira vez em que o nosso desempenho pode interferir diretamente no resultado dos jogos. Ao mesmo tempo que bate uma pressão enorme, é a primeira vez que nós nos sentimos de fato incluídos nos jogos, mesmo com a competição sendo antes aqui no Rio”, conta.

A campeã da edição anterior, a ESPM Snipers, também sentiu a pressão, mas segundo a capitã Maria Paula Telles, essa era uma mudança necessária. “As atléticas almejam muito o geral, de forma que somos mais cobrados com relação a bons resultados. A responsabilidade é muito maior”, conta, destacando que o reconhecimento veio em boa hora: “O esporte cresce de forma exponencial no Brasil. Este ano, tivemos o marco histórico do 4º lugar geral no mundial, na equipe Coed nível 5, além da equipe All Girl ficar no top 10 mundial competindo nível 5 pela segunda vez na história da seleção brasileira. Sendo um esporte de alta performance, que exige muito esforço e envolve muitos riscos, é muito gratificante receber mais visibilidade e reconhecimento desta forma”, conta.


Organização de primeira

O campeonato teve uma organização reforçada esse ano. A Rio Universitário, empresa que assumiu o JUCS esse ano, contratou Felipe Leal (Associação Carioca de Cheerleading e Campeonato Carioca) para a organização do campeonato.

Raro em disputas universitárias e fundamental nas All Star, as equipes tiveram acesso a um tatame de aquecimento ao lado do ginásio. Atletas e coaches tiveram um coffee break oferecido ao longo de todo o evento e a pontualidade foi uma das marcas do campeonato.

A banca de árbitros contou com Fígaro Guilherme (Elite All Star), Kevin Paiva e Olivia Castilho (ambos RCR). Na segurança, os spotters Anderson Pereira e Leone Daher.


Redução no nível do tumbling

As acrobacias sempre são o ponto frágil das equipes e campeonatos. Um debate sem decisão sobre o nível do tumbling na competição, por exemplo, foi o responsável por manter o cheerleading fora da pontuação geral do campeonato. No caso do JUCS, também não havia consenso: algumas equipes defendiam a manutenção do níve 2 para a disputa, mas foi vitoriosa a proposta de baixar o nível para 2.1. “A competição ser 2.1 foi uma decisão em conjunto de todos os diretores e coordenadores de cheer do JUCS. A ideia era tentar tornar a competição o mais justa possível para quem tem tumbling e quem não tem, que é a maioria dos times”, conta Gabriela Medeiros, da UVA.

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Para além de ser um problema nacional com motivo cultural (não há, como nos EUA, o costume de ensinar acorbacias a crianças nas escolas), o tumbling tem uma relação direta com o acesso a equipamentos e, no caso dos universitários, ainda sofre com a rotatividade dos atletas. “É bom que as pontuações sejam todas proporcionais. Estando todo mundo em pé de igualdade, vai ganhar o melhor e não o mais privilegiado”, defende Dilan.

Apesar de ter ocorrido sem grandes problemas, a mudança no tumbling não foi consenso. “A ESPM preferia competir nível ‘2.2’, tendo em vista que temos no time tumbling nível 2”, conta, destacando que a equipe respeita o resultado da votação que decidiu a questão.


Com a colaboração de Nicole Goldstein, Tales Costa e Louise Aguiar