Malu: uma flyer brasileira no Cheer Athletics

Malu, que tem 16 anos de idade, não é a primeira brasileira a encontrar espaço em times estrangeiros. Alguns dos atletas e coaches que estão no esporte já viveram ou vivem essa realidade. Na verdade, o próprio cheerleading All Star surgiu da participação de um atleta em uma equipe americana. Mas nenhum deles era o fenômeno mundial que é o Cheer Athletics.

Um dos ginásios All Star americanos mais premiados e famosos em escala global, o CA está entre os gigantes no tatame e fora dele: seu logo é facilmente encontrado nas roupas de flyers e bases em qualquer integra ou campeonato, fruto de um trabalho de imagem ímpar na indústria do cheer. Ele cria ao lado de Top Gun uma “primeira linha” do cheer mundial, com um alcance que supera os demais. São seguidos de perto por Cheer Extreme, Brandon All Stars, Califórnia, é verdade. Mas nunca superados.

Os números também colaboram: O Cheer Athletics é a equipe com o maior número de títulos mundiais do planeta, seguido do Californa, Gym Tyme, Stingray e Top Gun, segundo levantamento do Cheer Theory em 2018. Se há um melhor time do mundo em competições mundiais (os chamados “Worlds Teams”) no esporte, esse é o Cheer Athletics. Malu, agora atleta do ginásio, começou a acompanhar o Cheetahs, um dos times do CA, em 2017. “Desde que fui para o mundial pela primeira vez, em 2017, fiquei com uma vontade enorme de competir naquele lugar e participar de um ginásio americano. Foi então que comecei a acompanhar o Cheetahs e me apaixonei: sabia a partir dali que era no Cheer Athletics que eu queria estar”, conta ela.

O caminho
O ano era 2016. Malu chegou ao cheerleading na escola e, como gostava, decidiu fazer uma aula de ginástica no Flamengo. Ali conheceu Marcio Tavares, que estava abrindo o seu ginásio, o Royal Cheer Rio. Três temporadas depois, em 2018, foi até os Estados Unidos e fez um camp do Cheer Athletics. Já em 2019, fez algumas aulas privadas no ginásio e achou que era hora. Entrou no site, fez a inscrição, depositou o valor. Estava dada a largada para a execução do plano.

O tryout não foi difícil. “O processo lá é zero estressante. Os coaches são super fofos e te incentivam muito. Eu estava nervosa, mas muito animada. A sensação era de ter meu maior sonho se tornando realidade”, conta Malu. Ela participou de dois tryouts: o de flyers, que acontece em um dia e o “normal”, de tumbling, que dura dois dias. “Tanto no tryout de flyer quanto no ‘normal’, os atletas foram divididos pelo seu nível de tumbling. No primeiro, cada grupo tinha mini sequências específicas: você fazia stunts no mesmo nível do seu tumbling. No segundo, cada um mostrava tudo o que fazia sem spotter e jumps”, lembra.

A convocação chegou por e-mail. Malu conta que, sozinha em casa, tremia enquanto abria. “Quando abri o e-mail e li que havia entrado para a equipe que eu queria, comecei a gritar e tremer mais ainda”, lembra. Ser convocada após o tryout não foi surpresa para Malu. A ansiedade estava em cima do time que integraria. “Eu já esperava ter passado, mas não fazia ideia de para qual equipe eu passaria”, conta. Malu foi colocada na nova equipe do ginásio, criada recentemente devido às mudanças no código do Varsity: o antigo nível 5 passou a ser o nível 6, a grosso modo, fazendo nascer um nível a mais no esporte.

Os próximos meses
A rotina da até então atleta do RCR está para mudar. Ela viaja sozinha e deverá ficar hospedada em casa de família oferecida pelo próprio ginásio e a ideia é terminar o high school por lá. Os treinos serão às quartas e domingos à noite. “Eu e minha família achamos uma escola privada que entende e incentiva o atleta. É uma mentalidade diferente que vai me permitir ter uma grade flexível para me adaptar aos treinos”, conta. Os treinos começaram esse sábado (8/6), mas Malu ainda está resolvendo questões relacionadas ao visto e à matrícula escolar nos EUA.

A rotina também muda no Royal Cheer Rio, que foi bastante impactado pela presença de Malu como flyer. A equipe trabalhou com ela e seus pais na preparação para a conquista. A decisão de tentar o tryout do Cheer Athletics não foi aberta dentro do ginásio a princípio, mas o coach Marcio Tavares acompanhou todo o processo. “Eu venho acompanhando a Malu há algum tempo. Eu e o pai dela somos amigos e sempre tivemos uma relação próxima para fazer a carreira dela acontecer como atleta. Depois que tudo veio a tona, todo o RCR comemorou muito. Estamos felizes da vida”, conta Marcio. “Eu entendo na pele o que é estar em um ginásio grande”, comenta Marcio, medalhista de bronze no Worlds pelo Flyers All-Starz (com z e hífen mesmo), o décimo da lista dos campeões do mundial de clubes.

Malu tem grande expectativa para a sua próxima temporada: “Espero uma temporada incrível ao lado dos melhores do mundo. Espero aprender muitas coisas novas e fazer muitos amigos”. Ela não nega que o dinheiro é um elemento importante na equação, uma vez que viagens, tryouts, uniforme e mensalidades não são baratos, mas aponta que o mais importante é não se deixar levar pelos críticos e acreditar sempre: “Nunca desista dos seus sonhos e acredite no seu potencial. Apesar de ter muitas pessoas te apoiando, sempre vão ter aquelas que não acreditam em você e que só querem te botar pra baixo! Não deixe isso te desmotivar, se você quiser de verdade corra atrás e faz tudo que tiver que fazer pra chegar la”!

Produção: Carina Fischer – C1C Paraná