Rodrigo Gonçalves anula eleições e Lara é a nova CEO da UBC

Mais uma semana termina com reviravolta no caso UBC. Após uma live de 45 minutos na qual Cedrick William, coach da Bravo! Cheerleading e porta-voz da UBC [ERRATA: na publicação, dissemos que Cedrik era “membro do Comitê Olímpico Brasileiro”. Erramos: Cedrik trabalha na gestão da Ginástica Artística junto ao COB, mas não é membro do COB], explicou os caminhos legais tomados pelo grupo para que fosse eleita a nova diretoria – clique aqui para assistir a gravação da live -, porém, o processo foi anulado.    

No final da noite desta sexta-feira (08/01), Rodrigo Gonçalves, presidente da UBC, publicou resolução que anula a eleição realizada em 05 de outubro de 2020, na qual teria sido eleita a chapa encabeçada por Lara Magalhães para a presidência da UBC. Segundo o documento – sem precedentes históricos na história da UBC -, Lara Magalhães agora responderia como CEO da entidade.

A anulação da eleição
Na mensagem que acompanha a publicação, o grupo destaca que “as eleições realizadas no dia 05/10/2020 infelizmente ocorreram de maneira equivocada, nossa instituição não se atentou a recentes alterações legislativas ocorridas em 14/10/2020”. Já Lara, perguntada sobre o equívoco, esclareceu que “nenhuma alteração legislativa anulou a eleição. Nós apenas reconhecemos que não cumprimos alguns requisitos da lei e vamos fazer um novo pleito com a participação efetiva de toda a comunidade do cheerleading”.

É difícil saber exatamente o que levou à decisão de Rodrigo Gonçalves. A Lei Pelé foi alterada por novo texto legal em 14 de outubro: a Lei nº 14.073. O texto modifica diversos pontos da Lei Pelé, incluindo diversas obrigações que entidades esportivas deverão observar para receber recursos públicos, como a transparência, instrumentos de controle social, aprovações de prestações de contas anuais, acesso irrestrito à documentação da entidade por parte dos associados, entre outras. Clique aqui para ler a lei. Até o fechamento do texto, provavelmente devido ao horário, não foi possível apurar o que teria causado a anulação da assembleia.

Team Brazil e ICU
A anulação da assembleia e a convocação de eleições para a próxima gestão da UBC respondem ao apelo da comunidade por uma direção eleita de fato. Ela pode culminar na posse do primeiro presidente da entidade democraticamente eleito, uma vez que Clara Ascencio e Felipe Leal atuaram informalmente do ponto de vista legal, na ausência de Rodrigo Gonçalves, afastado do esporte desde 2017. Segundo Lara, a ideia é que a eleição inclua a participação efetiva de todo o cheerleading. Felipe Leal defende a mesma ideia e isso poderia ser o final da disputa. Mas não é.

Como explicado por Cedrick William na live no perfil do grupo, a UBC só tem representatividade internacional, mas, no Brasil, é apenas uma associação e, por isso, estaria hierarquicamente abaixo da Confederação Brasileira de Cheerleading e Dança, fundada por Lara. Segundo ele, o processo era inevitável: “como Lara seguia os parâmetros que o comitê olímpico preza e pede, nós adiantamos um processo que naturalmente ia acontecer. Em breve, o reconhecimento da confederação viria por parte do COB e a legalidade de administração do esporte no Brasil seria da Confederação Brasileira de Cheerleading, em mais ou menos tempo, com ou sem impasse com a UBC”, conta o dirigente, que esclarece que a intenção do grupo era unir e pacificar o cheerleading no Brasil.   

A união e pacificação não vieram e o esporte se vê obrigado a lidar com o racha instaurado desde que Felipe e Lara deixaram de trabalhar juntos. A luta agora é pela condução da gestão que termina em julho de 2021. Isso porque, até lá, quem conduzir a gestão em nome de Rodrigo Gonçalves terá sete meses para decidir os rumos da UBC, inclusive de sua representação junto ao ICU e o direito de montar, treinar e levar o Team Brazil aos mundiais. Na prática, como CEO da UBC, Lara teria legitimidade para filiar a UBC à confederação e, assim, em nome de ambas – UBC e CBCD -, apresentar ao ICU um pedido de troca de representação sem disputa. A notícia seria boa caso os envolvidos não tivessem chegado aos cargos que ocupam sem a participação democrática dos atletas.

Dúvidas não respondidas
As muitas dúvidas ainda não respondidas sobre o caso mantêm o clima de insegurança. O próprio cargo de CEO não consta no estatuto da UBC, que também determina que os administradores da entidade sejam eleitos e destituídos pela Assembleia Geral Deliberativa. Por outro lado, o mesmo documento aponta que é direito do presidente da entidade “delegar poderes e constituir procuradores e advogados para o fim que julgar necessário”. Nomeada por Rodrigo, presidente legal da entidade, Lara seria, em tese, sua procuradora. Com o impasse no estatuto, tudo indica que a legalidade do cargo deve ser definida pela justiça.

Outro caminho que vem sendo levantado entre atletas é a associação em massa. Uma vez associados, eles poderiam convocar assembleia de acordo com o estatuto e deliberar sobre a administração, podendo, inclusive, destituir a gestão e definir quais caminhos seriam seguidos a partir de agora, de acordo com o estatuto. O movimento é bastante comum em associações, sindicatos e demais entidades representativas, e costuma gerar um engajamento real da comunidade com a entidade.  

A opção se soma a outra dúvida ainda não respondida: quem são os associados da UBC? Como e quando eles se associaram? Há registro dessas associações? Também não há informações sobre como atletas, coaches, dirigentes e amantes do esporte poderão se associar oficialmente e, assim, passarem a integrar a Assembleia Geral, órgão máximo da entidade, e deliberar sobre essas e outras questões. Quanto a isso, Lara garante que estão trabalhando: “Em breve estará tudo disponível. Estamos trabalhando noite e dia”. Rodrigo confirma e anuncia a publicação em breve de edital que irá tirar todas as dúvidas do processo. 

 

Texto: Rodrigo Mariano (C1C RJ)

Produção: Ariel Strauss (C1C RJ)

Revisão: Isabella Boddy (C1C PR), Carina Fischer (C1C PR)