Um lar para o Brasília Xtreme

Ter uma casa própria é o sonho de muita gente. Da mesma forma, ter o ginásio próprio é o sonho de muitos atletas, treinadores e donos de equipes All Star no Brasil. O espaço não pode ser aleatório e precisa de algumas especificações: tem que caber um tatame de cheerleading ou um tablado oficiais; não pode ter teto muito baixo, menos ainda vigas no meio; não pode ser a céu aberto para não estragar equipamento e, ainda por cima, precisa ser de fácil acesso para os atletas, que em geral não moram do lado de seus ginásios.

Difícil achar um espaço assim? Sim, mas não impossível. E o Brasília Xtreme se juntou à lista – que vem aumentando ano após ano – dos empreendimentos de cheer nacional que têm um ginásio para chamar de seu.

Luiza Brasiel, uma das sócias do Brasília Xtreme, conta que sempre foi um sonho que o time tivesse um espaço próprio. A equipe começou treinando em locais emprestados e isso afetava o rendimento da equipe. Além disso, havia a ideia de começar a trabalhar com equipes de base (infantis), o que é essencial para o crescimento do esporte.

A jornada pelo espaço perfeito

A busca efetiva por um local próprio começou em 2019 mas só foi se concretizar em 2021. A ideia inicial era encontrar um ginásio a tempo de treinar para a temporada de 2020. No entanto, além da corrida contra o tempo, um segundo desafio entrou em ação: a pandemia. A temporada 2020 foi cancelada e Brasília ficou um tempo considerável sob regime de lockdown, com apenas algumas atividades essenciais liberadas. Mas esse tempo acabou sendo bom para pensar com calma e procurar com cuidado um espaço que fosse adequado para as necessidades da prática.

Parecia que todos os lugares tinham algum problema, o que era ampliado pelo fato de Brasília ser uma cidade planejada: galpões no plano piloto não são comuns. Alguns tinham uma localização ruim, outros o teto baixo, outros vigas no meio do espaço onde ficaria o tatame. Também encontraram proprietários que não concordavam com as modificações que precisariam ser feitas. Em uma das tentativas, chegaram a acreditar que o espaço ideal havia sido encontrado mas, de última hora, os proprietários desistiram de concluir o negócio.

Havia também a questão financeira. O aluguel precisava caber na realidade da pequena empresa iniciante do ginásio. Entretanto, em julho de 2021, Luiza Brasiel e Bruna Corrales, também sócia do Brasília Xtreme, acharam, finalmente, o espaço ideal para os treinos dos seus times: a nova casa do BX, no Lago Sul, Brasília.

Segundo Bruna, a casa nova não significa que a jornada terminou. A metragem ainda não é totalmente adequada para os padrões usados no cheerleading e sempre há a possibilidade do BX crescer ainda mais, visto que, ainda esse ano, houve a criação das aulas infantis e da equipe de nível 5 Xception. Mas as donas do BX torcem para que seja possível ampliar o espaço atual para isso, graças a sua boa localização.

Vida nova para a equipe

O efeito sobre os atletas, segundo as duas, foi imediato. Ter seu próprio ginásio deixou os atletas mais a vontade nos treinos e, segundo as dirigentes, é certeza que será um diferencial para a evolução dos atletas e do esporte. “Quando eles chegaram lá pela primeira vez foi lindo. Todo mundo ficou arrepiado. A vibe do ginásio está incrível”, conta Luiza. ”Foi um ano atípico, se a gente comparar com os anteriores, mas a evolução dos atletas é inegável. A gente fez um investimento em material, já estávamos formalizados como empresa e nossa prioridade era essa: poder proporcionar aos atletas um local no qual eles pudessem ter uma evolução segura e otimizada”, conta Bruna.

O espaço, contudo, não é aproveitado apenas pelos os atletas de equipes competitivas do BX. O ginásio já oferece aulas particulares de tumbling, flex, stunt e partner, além de uma escolinha de cheerleading focada na introdução ao esporte. Há open gym todas as sextas e o espaço também pode ser alugado para equipes universitárias.

Qual o próximo desafio para o BX? Segundo Bruna e Luiza, crescer como empresa e se consolidar como um representante do esporte dentro e fora do meio do cheerleading, sendo uma referência para o bairro onde atuam. Estão nos planos, inclusive, projetos sociais voltados para diversificação do esporte e ampliação do acesso ao cheerleading na região. Bruna finaliza contando que espera levar o cheerleading e o BX a mais pessoas, inclusive como uma opção de atividade extracurricular para as crianças, como são o ballet ou o judô. 

Resta acompanhar o time de perto, curtir sua evolução e torcer para que outras equipes também conquistem seus espaços próprios para amplificar a potência do cheerleading nacional em todos os lugares.


Texto: Ariel Strauss
Produção: Juliana Dória
Edição: Louise Aguiar e Rodrigo Mariano